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domingo, 25 de maio de 2025

Corta mais que um canivete

Era uma modinha antiga, do tempo em que havia respeito, não sei quem é que a cantava originalmente, na rádio, antes de chegar ao povo, que tomou conta dela, e o refrão dizia assim:

Corta mais que um canivete,
oh! que língua tão comprida.
Ora mete, mete, mete
a língua na tua vida.

P.S. - Hoje é Dia Nacional do Folclore Português.

terça-feira, 11 de março de 2025

Ligava-se o rádio e abria-se o pano

Foto Hernâni Von Doellinger

Todas as noites. A nossa mãe pegava em nós - na Nanda, no Nelo e em mim - e colocava-nos de joelhos e mãos postas, virados para a parede. Não era castigo, era amor. Na parede do quarto da nossa mãe, por cima da cama de casal, estava pendurada uma daquelas gravuras do anjo da guarda à la menino da lágrima. Rezávamos: "Anjo da guarda, minha companhia, guardai a minha alma de noite e de dia."

(Morávamos na casinha amarela do Santo Velho. O quarto da nossa mãe, logo à entrada, era também a sala, a urgência, o consultório das aflições e desgraças da rua inteira. A minha mãe curava. Cura. Eu era então o mais novo e os mimos eram todos para mim. Os mimos que a pobreza honrada permitia. Éramos remediadamente felizes, mas ríamo-nos muito, graças a Deus. Umas senhoras da Granja que trabalhavam no Posto Médico e passavam pelo nosso Santo Velho diziam que eu "até a chorar era bonito" - contava-me a minha mãe, cheia de vaidade, fazendo-me festinhas nos caracóis, e eu gostava. E eu gosto, mãe. Quando a minha mãe se zangava comigo - e eu enchia-a de razões para isso -, dizia-me que eu tinha sido deixado lá em casa pelos ciganos...
Depois nasceu o Lando e acabaram-se-me as mordomias.)

Todas as noites. Após a oração ao anjo da guarda e o sinal da cruz feito "sem aldrabices" por ordem expressa e vigilante da nossa mãe, íamos para o nosso quartinho de duas camas, uma cama para a Nanda e a cama maior para o Nelo e para mim. A nossa mãe deitava-se enfim, exausta e nós não sabíamos, e ligava o rádio na Emissora Nacional. Dava teatro. Dramalhão. Mas tudo dentro dos conformes, pela moral e pelos bons costumes, tudo muito a bem da Nação. Do lado de cá do tabique, eu, o Nelo e a Nanda pedíamos "mais alto". Também queríamos. (Ou)víamos silentes e na maior das comoções, porque aquelas histórias não eram para brincadeiras. Interrompíamos apenas para um que outro pedido de esclarecimento acerca da senhora má e ciumosa que fazia a vida negra ao senhor viúvo e bom que gostava da menina tísica e bela que tomava conta dos quatro filhinhos dele, senhor viúvo e bom, a qual senhora má e ciumosa, todos concordávamos com a nossa mãe, era realmente "uma grande cabra", embora eu não visse nisso grande defeito. Na escola já tinha feito algumas redacções sobre "A cabra" e por isso sabia que a cabra é um animal doméstico e serve, nomeadamente, para a nossa alimentação, que era assim que a coisa se rematava.

O teatro terminava, vinha a ficha técnica - porventura autoria ou adaptação de Odette de Saint-Maurice, certamente as vozes de Jorge Alves, Manuel Lereno, Carmen Dolores, Rui de Carvalho, Eunice Muñoz ou Canto e Castro... nos papéis de -, mas a nossa mãe só desligava depois do "Samuel Dinis ensaiou", que era mesmo o fim, e o rádio dizia "Denis", que ainda era mais mágico. Trocávamos boas-noites dum lado para o outro do tabique. "Agora vamos dormir", mandava a nossa mãe, e nós apertávamo-nos aos cobertores, contentes pela soirée e mortinhos por obedecer.

Todas as noites. Cinco ou dez minutos passados, a minha mãe dava um toquezinho na parede e perguntava, numa voz de embalar:
- Estais a dormir?
- Eu estou - respondia sempre eu.
- Lindo menino - dizia a minha mãe. E eu adormecia feliz. Radioso.

P.S. - A 11 de Março de 1957, no seu quarto dia de emissões regulares, a RTP inaugurou a rubrica Teleteatro, também chamada Noite de Teatro, com a emissão de "O Monólogo do Vaqueiro", de Gil Vicente.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Várzea Cova FM

Ele tinha dois rádios muito jeitosos. Depois de um ligeiro acidente na descida para Várzea Cova, o rádio do braço esquerdo, coitadinho, só apanha a onda curta.

P.S. - Hoje é Dia Mundial da Rádio. Continue connosco...

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

O rapaz dos altifalantes

Era a sua primeira vez. Agarrou pois no microfone, coçou-lhe a cabecinha com a unhaca da cera, soprou-lhe o pó num imenso e sonoro perdigoto e, sem mais delongas, disse:
- Alô, chape, chape, um, dois. Um, dois, três, microfone, experiência. Chape, chape, um, dois. Um, dois, três, quatro, microfone...
E a multidão irrompeu em aplausos.

A frase era: "E ao iniciarmos os nossos trabalhos, a todos desejamos uma muito boa tarde". Mas só funcionava, a célebre frase, se fosse metida no meio de uma marcha do John Philip Sousa, que para mim era um músico português de Castelo de Paiva que tinha ido para a América em pequenino. Eu sabia que no Pejão havia por aquela altura uma grande banda de música, quase tão boa como a nossa, a de Revelhe, e era por isso. Quanto à marcha propriamente dita, de preferência Stars And Stripes Forever. Isso, sim, era serviço completo, coisa profissional.
Eu adorava os altifalantes. Longe ou perto, os altifalantes chamavam por mim e eu ia. Eram sinal de futebol no Campo da Granja, eram Festa da Bomba, eram o Santo António na minha rua, eram a Senhora de Antime que vinha à vila numa tremenda e comovente procissão. E eu adorava aquela frase. O meu sonho era dizê-la quando fosse grande.
E disse. Vezes sem conta, anos mais tarde, já os altifalantes tinham sido promovidos a "instalações sonoras" e a bola rolava no Estádio de campo pelado. Sim, o microfone agora era meu, eu era o rapaz da "constituição das equipas" e daqueles reclames muito jeitosos que terminavam todos em "... nesta simpática lo-ca-li-da-deee". E os anúncios pelos 16 de Maio e pelas Festas da Vila, nos altifalantezinhos pendurados nas árvores em Cima da Arcada, sim, também era eu. Mas estavam gravados e a frase era-me impedida. E nem imaginam o que eu sofria quando andava com o Pimenta pelas aldeias de Fafe a apregoar os filmes do cinema ao ar livre, as cornetas atadas às três pancadas no tejadilho da velha catrel e eu, aos solavancos contra o tecto, sem poder dizer a frase. Mas não encaixava de maneira nenhuma a puta da frase. Que seca! E os filmes também.
"E ao iniciarmos os nossos trabalhos, a todos desejamos uma muito boa tarde". Era a frase da minha infância e andou sempre comigo. Até na profissão. Quando passei pela Informação da Rádio Comercial, no tempo em que a Comercial fazia parte do universo RDP, muitas vezes a disse, como teste, na gravação de uma notícia ou apenas por brincadeira, de microfone fechado, antes de ir para o ar com o noticiário. "E ao iniciarmos os nossos trabalhos, a todos desejamos uma muito boa tarde".
Nunca chegou cá fora, e foi o que os senhores ouvintes perderam - como certamente estão agora a perceber. Em contrapartida, uma vez, no final de um bloco noticioso particularmente bem conseguido, saiu-nos - ao colega de cabina e a mim - um "Até os comemos!", de microfone involuntariamente aberto e destinatários certos, que ainda hoje é o nosso orgulho.
E realmente "Até os comemos!" também é uma bela frase e resulta muito bem em rádio, sobretudo se for numa rádio sustentada pelos contribuintes. Mas, verdade seja dita, não tem comparação com a outra, a gloriosa, a dos altifalantes, pois não?

P.S. - Publicado no dia 22 de Agosto de 2022. A patente do altifalante electrodinâmico foi registada pelo engenheiro alemão Werner von Siemens no dia 10 de Dezembro de 1877.

quarta-feira, 27 de novembro de 2024

Atenção à nabiça e ao tomate

Dezembro a bater à porta e o Borda D'Água manda resguardar as plantas do gelo. Arrotear terras e mato para as sementeiras da Primavera. No crescente, continuar as covas e a estrumagem. As sementeiras de trigo e centeio continuam se não houver geadas, bem como a de cebola, couves, beterraba, nabiça, pimentos, tomate e salsa. Em sítios abrigados pode-se ainda semear agrião, espinafre, alfaces, fava e ervilha. Plantar ainda macieiras e pereiras. Cortar madeiras, no minguante. Continuar a poda das vinhas e mergulhia das vides. Fim da apanha da azeitona e limpeza dos lagares. No jardim, prossegue a plantação de roseiras, gladíolos, cíclames e lírios, a proteger das geadas. Semear ervilhas-de-cheiro, goivos e jacintos. Quanto aos animais, abrigue o gado do frio e chuva, e acarinhe-o.
Quer-se dizer: em Dezembro descansa mas não durmas, como recomenda, por seu lado, O Seringador.
E pronto. É este tempo, senhores. O tempo. Ou, como dizia o outro na rádio a preto-e-branco: na aldeia do Senhor Costa, assim vai a agricultura. E quem diz Costa, diz Montenegro.

Isto a propósito do engenheiro Sousa Veloso. José de Sousa Veloso, engenheiro agrónomo e mítico apresentador do programa TV Rural da RTP. Durante três décadas, o Senhor Engenheiro deu as notícias e a táctica aos lavradores e outros telespectadores portugueses. Morreu no dia 27 de Novembro de 2014, com 88 anos. Conheci muito bem o engenheiro Sousa Veloso. Ambos frequentávamos o velho café Peludo. Ele no televisor pendurado logo à entrada, do lado esquerdo, por cima dos bolos-reis previamente encomendados e comprados fora para o Natal, e eu sentado no canto contrário, atento à TV e aos bolos, ouvindo uma e desejando os outros, nem que fosse só um bocadinho. No final, o Senhor Engenheiro dizia, num largo sorriso, já em cima da música: "Despeço-me com amizade, até ao próximo programa". Era para mim.

terça-feira, 30 de abril de 2024

Gershwin, o cantor que não sabíamos

Ouço rádio. Prefiro a rádio à televisão e os jornais em papel ao online. Prefiro os dicionários encadernados à Wikipédia e os livros de uma forma geral às séries "de culto". Tirando David Ferreira, às vezes o futebol e a meia hora a seguir ao meio-dia, que me ligam religiosamente à Antena 1, a minha rádio de companhia era a Smooth FM. Gostava da música que por lá passava, música da minha idade, e ria-me com o que diziam os locutores. Ignorância em frequência imoderada era ali - das bojardas gramaticais nas "notícias" aos spots publicitários que primavam pela asneira. Uma vez, na promoção a um concerto de Anthony Strong no lisboeta Centro Cultural de Belém, dizia-se assim:
"Anthony Strong em Portugal, num tributo às grandes vozes masculinas do jazz. Anthony Strong: Tribute To The Great Male Jazz Vocalist Of All Times. Entre os quais, Louis Armstrong, Chet Baker, Gershwin e muitos mais, numa noite memorável". Fim de citação. Exactamente, sobretudo Gershwin, esse extraordinário cantor...

sábado, 25 de março de 2023

Descendo ao topo da hora

Ora cá está mais uma interessantíssima problemática. A problemática do "topo da hora", esse escusado e equívoco bordão radiofónico que hoje me proponho dissecar com a seriedade intelectual e a profundidade filosófica do costume.
Na rádio, o "topo da hora" é o sítio onde estão colocados os noticiários. Os noticiários alargados, entenda-se, porque também há as edições apertadinhas, às meias. Doses. "Notícias no topo da hora", costumam dizer-nos os locutores ou jornalistas, remetendo-nos, por exemplo, para as 11 horas, para o noticiário das 11 horas. E aqui é que bate o ponto. Porque (sigam o meu raciocínio, por favor), se o noticiário das 11 horas for no "topo da hora", ele deverá ir para o ar às 11h59m59s, porque aí é que é o topo da hora 11. Isto é: para estarem no "topo da hora", as notícias das 11 só são ao meio-dia; porque, na verdade, as 11 são o topo da hora, mas das 10, da hora 10. O que quer dizer que temos andado estes anos todos com os noticiários trocados.
Que não restem dúvidas: topo, neste contexto, quer dizer a parte mais elevada, o cume. E o cume de uma hora é o último segundo antes de ela entrar na hora seguinte. É certo que topo também pode significar extremidade, mas, se forem por aí, recomenda-se aos senhores locutores, jornalistas e radialistas em geral que apontem sempre as notícias para o topo de baixo.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Efemérides

No dia 29 de Dezembro de 1891 o empresário americano Thomas Edison patenteou o rádio. No dia 17 de Março de 1987 o tractorista português Anacleto Felgueiras fracturou o cúbito.

Namore e, olhe, mate-se!...

Antena 1, a nossa rádio pública, pouco depois das 21h15 de um Dia de São Valentim, que será outra vez amanhã. O locutor, voz excelentíssima, põe ao lume os chouriços do costume, prepara a entrada de Sérgio Godinho mas escorrega na burilada bucha de ligação. "Se vai na estrada, conduza com cuidado. Olhe, aproveite para namorar!..." - diz ele. E realmente. Há lá melhor maneira de morrer num acidente de viação...

O rádio

O rádio, diz a Wikipédia, é um elemento químico de símbolo Ra, número atómico 88 e massa atómica 226, pertencendo à família dos metais alcalino-terrosos, grupo 2 ou IIA da classificação periódica dos elementos. À temperatura ambiente, o rádio encontra-se no estado sólido. É um metal altamente radioactivo encontrado em minerais de urânio como na pechblenda. As suas aplicações são derivadas do seu carácter radioactivo. Foi usado em medicina e depois substituído por radioisótopos mais eficientes. Foi descoberto por Marie Curie e seu marido Pierre, em 1898, na pechblenda/uranita. O rádio era um sucesso absoluto, até que apareceu a televisão, isto ainda antes da internet e das chamadas redes sociais. Mas cá se vai safando....

sábado, 15 de outubro de 2022

Na aldeia do Senhor Costa

Foto Hernâni Von Doellinger
Outubro já vai a meio e o Borda D'Água manda para o mês que vem, quanto aos pomares, estercá-los no crescente, podá-los no minguante e protegê-los das geadas. Plantar cerejeiras, pessegueiros, pereiras e macieiras, no crescente. Na horta, semear agrião, alface, cenoura, couves, com excepção da couve-flor, e brócolos. Plantar batata (nas zonas secas), alho, couve temporã e tremoço. Semear fava, ervilha e, em camas quentes, alface, beterraba, cebola, nabiça, nabo, rabanete e tomate. Semear cereais de pragana, como aveia, centeio, cevada e trigo. Colher azeitona e beterraba. Na adega, verificar as vasilhas do vinho novo. Destilar bagulho para fazer a aguardente. No jardim, estercar covas para a plantação na Primavera de árvores ou arbustos e estacar as plantas contra o vento. Plantar bolbos de flores. Podar as roseiras e plantar novas. Quanto ao gado, transita para o regime seco com feno, palha e grão.
Quer-se dizer: cava fundo em Novembro, para plantar em Janeiro, como recomenda, por seu lado, O Seringador.
E pronto. É este tempo, senhores. O tempo, nabos e tomates, e mais mada. Ou, como dizia o outro na rádio a preto-e-branco: na aldeia do Senhor Costa, assim vai a agricultura. E não falava certamente do Costa do Assento...

P.S. - Hoje é Dia Internacional da Mulher Rural.

terça-feira, 20 de setembro de 2022

Luís Filipe Barros, único e transmissível (em FM)

Luís Filipe Barros não canta, não toca, que me conste, mas é uma lenda viva do rock'n'roll. É português e da rádio, e quem não souber dele o melhor é procurá-lo na Wikipédia, porque eu aqui não faço desenhos. Conviveu com os Pink Floyd, com os Bon Jovi e com os Deep Purple, quase partiu uma perna ao vocalista dos Supertramp, ensinou a aguardente aos Spandau Ballet, levou os Police ao Jamaica, estendeu ao comprido o líder dos Clash, mas tudo começou com Herman José, não vamos mais longe.
Anos oitenta do século passado, em Portugal. Luís Filipe Barros era uma das vozes da moda e gozava do estatuto de verdadeira vedeta. "Ia aos restaurantes, almoçava ou jantava, mas não pagava. Nos bares, bebia sempre à borla. Ia às discotecas, aos fins-de-semana, e ainda ganhava dinheiro. Eram realmente bons tempos", dizia-me o famoso radialista já lá vão quase quinze anos, numa espécie de entrevista de carreira que então me concedeu, facilmente e sem peneiras.
Nas deslocações ao Norte, um dos seus companheiros de viagem costumava ser Herman José, que também fazia o circuito das discotecas. "Íamos para o Porto na sexta-feira e regressávamos a Lisboa no domingo à noite, a contar notas, cada um para o seu lado, no comboio". Da primeira vez havia em Campanhã uma pequena multidão de fãs à espera, agitando cartazes. Luís julgava que era para o Herman, mas não, era mesmo para ele.
O importante papel que Luís Filipe Barros desempenhava como divulgador musical na rádio portuguesa introduzia-o na intimidade das estrelas de rock que visitavam Portugal ou Espanha. Uma vez, em Madrid, foi convidado para jantar com os Pink Floyd, após concerto. Contou-me: "Eu estava cheio de fome, queria comer o meu bife, mas os gajos andavam numa de emagrecer e tinham marcado num restaurante japonês. Foi uma desgraça: peixe cru e salada de violetas, naquela altura eu sabia lá o que isso era. Mas dava para perceber que os tipos já não podiam ver o Roger Waters. Tinha a mania que mandava em tudo, lá por o Sid Barrett ser maluco..."

Aos Supertrump, que andavam também nos cornos da lua com o "Breakfast in America", Luís Filipe Barros ia dando cabo dos dois concertos agendados para Cascais. Alguém teve a infeliz ideia de organizar um jogo de futebol entre os músicos e a equipa da chamada comunicação social. Luís, do lado dos jornalistas, levou a coisa a sério (à séria, se lido em Lisboa) e ia partindo uma perna ao vocalista da banda britânica. Confessou: "Dei uma trancada tamanha no Roger Hodgson, que quase não havia concerto para ninguém. Fui expulso e tudo".
Outro que levou que contar foi Joe Strummer, a voz dos Clash, num espectáculo em que o nosso Luisinho "quase andava à pêra com um gajo da segurança que estava com eles e tinha uma boina do IRA". Com o grupo em palco a tocar na maior desorganização, dado o adiantado estado de embriaguez e não só em que todos se encontravam, Strummer pediu a Luís Filipe Barros que o ajudasse a subir ao estrado. E o radialista deu o seu melhor: "Empurrei-o para o palco, mas quando chegou lá acima, embalado, faltaram-lhe as pernas e ele espalhou-se ao comprido à frente de dez mil pessoas. Foi um trambolhão monumental".
Em abono da verdade, deve dizer-se que Luís Filipe Barros tinha por hábito desencaminhar o pessoal para os copos, no "Snob ou no Bairro Alto", depois dos concertos. Uma noite levou o Stewart Copland a esse baluarte do bas-fond lisboeta que era o bar Jamaica, e o baterista dos Police gostou tanto que, bem bebido, "já estava a querer comprar aquilo".
Outra vez o mítico fundador do aclamado programa Rock em Stock pegou nos aprumadinhos Spandau Ballet e ala até à Costa da Caparica, para almoço. Comeram sardinhas assadas e "adoraram", porém perderam-se pela aguardente. Emborcaram uma garrafa inteira, e desde esse dia - recordou o Luís -, "quando davam uma entrevista à MTV, diziam sempre que Portugal tinha a melhor bebida do mundo: o bagaço".

E enfim um extra. Luís Filipe Barros no camarim dos Bon Jovi. "Nunca tinha visto nem nunca mais voltei a ver uma cena assim: o baterista "Tico" Torres, em cuecas e de barrete na cabeça, passando as calças a ferro..."

terça-feira, 13 de setembro de 2022

Tempo e resultado

Na sacramental ronda pelos vários campos, o pivô da emissão radiofónica pergunta ao repórter de serviço: - Tempo e resultado?
O repórter de serviço informa, conciso e preciso: - O tempo está bom e o resultado mantém-se.
Conta-se que foi nos Açores, ilha Terceira. Em Fafe não se diria melhor...

Candidaturas ao Prémio A. Lopes de Oliveira

Decorre o período para concurso ao Prémio Literário A. Lopes de Oliveira / Câmara Municipal de Fafe, destinado a distinguir estudos históric...