sexta-feira, 1 de maio de 2026

Passeio sénior a Fátima


"O Passeio Anual Sénior, promovido pelo Município de Fafe, tem como destino Fátima e decorrerá nos dias 15 e 22 de maio.
Os bilhetes são gratuitos e estarão disponíveis para levantamento, de 4 a 13 de maio, nas respetivas Juntas de Freguesia, mediante apresentação do Cartão Municipal Sénior atualizado.
A saída está prevista para as 07h00 junto à Escola EB Montelongo."
(Texto do Município de Fafe.)

quinta-feira, 30 de abril de 2026

A nossa Câmara de Fafá

Facebook do Município de Fafe

Há pelo menos dia e meio que Fafe é Fafá na página oficial do Município de Fafe no Facebook, isto é, no Facebook do Município de Fafá. Sem culpa nenhuma, o grande Vitorino, que vem sábado cantar a Fafe, quer-se dizer, a Fafá, fez um simpático vídeo, apenas uns segundos, a promover o espectáculo, e o Município de Fafe, aliás, Fafá, fino como uma alho, moderníssimo, cosmopolita até dizer basta, ferrou-lhe com a alegada inteligência artificial em cima, e as legendas fonéticas e automáticas, e analfabetas, deram na tristeza que aqui se apresenta e parece que só eu é que vi. Dei tempo ao tempo, porque isto são pentelhices, nada mais do que uma pequena anedota, coisas que acontecem e se remedeiam, mas não há pachorra que aguente. Atenção, repito, já lá vai dia e meio, e o fenómeno continua lá, sem uma crítica, um reparo, uma emenda, parece que ninguém lê o Facebook da Câmara de Fafe, mesmo ninguém, nem sequer os que lá escrevem, começo a ficar envergonhado comigo mesmo por ir lá espreitar os títulos de vez em quando.

terça-feira, 28 de abril de 2026

Cada macaco no seu galho

"Em que ramo é que trabalhas?", perguntaram-lhe. E o macaco respondeu: "No de baixo, derivado às vertigens..."

P.S. - Hoje é Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho e Dia Nacional de Prevenção e Segurança no Trabalho.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Sinta-se em casa, Senhor Vitorino!

Foto Rita Carmo / Expresso

Vitorino Salomé Vieira, 83 anos, do Redondo, vem cantar a Fafe no próximo sábado à noite. Uma honra, para nós. Eu, se pudesse e mandasse, punha-lhe as nossas duas bandas de música, Golães e Revelhe, a recebê-lo à porta do Teatro-Cinema, tocando marchinhas e semeando salsa ao reguinho.

domingo, 26 de abril de 2026

O arrocho ia à baliza

Limpa-nódoas
O guarda-redes que faz a mancha é depois obrigado a limpá-la?

É goleiro no Brasil e guarda-redes em Portugal, o que em certa medida explica logo à nascença a suprema necessidade e a utilidade sem medida dessa coisa escaganifobética e sonsa a que certos doutores chamam acordo ortográfico. Falando à nossa moda, o guarda-redes é-o, regra geral, porque, no que diz respeito à bola, não serve para mais nada, não joga um caralho, não dá uma para a caixa, é um trambolho, um cepo, um arrocho, e por isso vai para a baliza. Exactamente: o arrocho vai para a baliza. Ali pelo menos não estorva. E grita a torto e a direito "Sainde da frente!, Sainde da frente!", desarrumando imaginárias barreiras no miserável recreio da Escola Conde de Ferreira, no largo da Feira Velha ou entre as aprazíveis tílias do Santo Velho, fazendo todo o cuidado aos vidros das portas da frente da Milinha Modista, isto era em Fafe mas podia muito ser no Maracanã ou no Prater de Viena, era só pensar e escolher. Sei muito bem do que falo, da maneira de ser arrocho. E falo orgulhosamente por experiência própria, não sendo o único.
Albert Camus, Arthur Conan Doyle, Karol Wojtyla, conhecido como papa João Paulo II, que foi eleito santo, Che Guevara, Julio Iglesias e até Luís Marques Mendes tentaram ser ou foram mesmo guarda-redes. Do Luisinho lembro-me eu muito bem, nas camadas jovens da nossa AD Fafe, com joelheiras e tudo para não rabunhar as perninhas brancas e peludas.
Duas das melhores definições sobre o guarda-redes, digo eu, terão sido elaboradas pelos escritores Eduardo Galeano e Nelson Rodrigues. "Carrega nas costas o número 1. Primeiro a receber, primeiro a pagar. O goleiro sempre tem a culpa. E, se não tem, paga do mesmo jeito", sentenciou o uruguaio. Já o brasileiro Nelson Rodrigues afirmou um dia - "Amigos, eis a verdade eterna do futebol: o único responsável é o goleiro, ao passo que os outros, todos os outros, são uns irresponsáveis natos e hereditários."
Por mim, o que continua a interessar-se particularmente no ofício de guarda-redes é tentar perceber esse mistério do homem que entra em campo como "guardião", sim, chamam-lhe guardião, e sai do campo como "frangueiro", sim, chamam-lhe frangueiro, ao ex-guardião. Frangueiro e filhodaputa. Palhaço! E eu, palhaço acho mal.

É preciso que se note, o menosprezo pelo guarda-redes não é de agora, vem desde o tempo da invenção do futebol. O guarda-redes nunca constou de esquemas tácticos, não entra nos fundamentos do jogo. Eram "onze contra onze", ficou estabelecido, mas o guarda-redes, nem que fosse "o melhor do mundo", não contava para o totobola. O guarda-redes era uma espécie de Santa Bárbara (embora esse fosse do andebol), só se lembravam dele quando toava, quer-se dizer, à hora do penálti. De resto, havia o 1-1-8, o WM, o 4-2-4, o 3-4-3, o 4-3-3 e o 3-5-2. Sobretudo. E é só fazer as contas, somar os algarismos e ver que dá dez, não onze. Até W mais M é igual a dez. O "onze contra onze" é uma fraude - eram dez contra dez e era um pau, e a bola era redonda mas nem sempre, às vezes tinha galhos, inchaços. Essa é que é essa. E hoje em dia, por mais losangos, faixas e terços do terreno que inventem, a desconsideração continua. O guarda-redes só é necessário porque é preciso um bode expiatório. E, no entanto, ele houve e há grandes guarda-redes, autênticos salvadores da pátria, valha-me Deus!
David Alves ensinava: o melhor guarda-redes do mundo era Clemence, o inglês. Nem o checo Plánicka, nem o russo Yashin, nem o alemão Sepp Maier, nem o italiano Dino Zoff, nem outros de semelhante calibre - antes, durante e depois. Era Ray Clemence, que nos anos setenta e oitenta do século passado brilhou ao serviço do Liverpool e da selecção inglesa. E o David sabia do que falava: ele próprio tinha atrás de si uma interessante carreira como guarda-redes, posto que de mais recatados recursos. Sendo de Fafe, fizera a sua formação nos juniores do FC Porto, passou algumas temporadas no Paços de Ferreira, se não me engano, e ainda o vi jogar pelo Desportivo das Aves, creio que no tempo em que por lá andava também (ou andou pouco tempo depois) um famoso defesa central chamado Kentucky, que só me lembrava os Definitivos, pecados velhos. Por outro lado, o David Alves foi o primeiro José Mourinho que eu conheci. Isso mesmo. O David era inteligente, culto e visionário, carismático, tinha mundo, era um estudioso e metódico transgressor, promovia a acção psicológica: com um par de décadas de avanço, inventou em Portugal aquilo que hoje em dia é corriqueiro em todo o lado. Pensador por natureza, pedagogo, ele passava o futebol ao papel, e do papel passava o futebol ao campo. E no campo era bonito de se ver. O treino era ciência, os treinos eram aulas - ele levava-me muitas vezes para assistir. E era uma prazer ouvi-lo. Se não me engano, o David começou a carreira de treinador no Maria da Fonte, da Póvoa de Lanhoso, e eu pressentia que ele iria longe, muito longe, primeira divisão, estrangeiro até. A vida, porém, não lhe deu tempo para levantar voo...
Por aquela altura, o meu Fafe padecia de um guarda-redes suplentíssimo que tinha o insuspeito nome de Queimado. E, diga-se em abono da verdade, o rapaz era realmente um frangueiro de créditos firmados. Era um acrobata voador, um contorcionista, um funambulista, um malabarista, um ilusionista até - guarda-redes é que não! O Queimado, que equipava muito bem, adelgaçado, exuberante, calção de licra comprido e justinho, à ciclista, e camisola verde dos pontos, voava de um poste ao outro leve como pluma em bico de pomba branca, pomba branca, inventava cabriolas impossíveis, pinchos sobejamente desnecessários, golpes de rins praticamente incapacitantes, e a bola, ignorada e ressentida, pimba!, sempre no fundo das redes. A baliza, com o Queimado, era um circo sem fundo.
Pois o inglês Clemence era exactamente como o nosso Queimado, mas ao contrário. Era esse o exemplo, era essa a comparação absurda que o David nos apresentava para explicar. Para ensinar. Clemence vestia à antiga. Na baliza, era elegante, fleumático, sóbrio, poupado e sobretudo eficaz. Simples. Tinha a bola sempre debaixo de olho, e nunca ninguém o viu voar para ela se ele podia dar um passo ao lado e agarrá-la definitivamente e sem outros sobressaltos. "Um passo ao lado", esta me ficou. Fácil, não é? E era assim que o David Alves ensinava.
Raymond Neal "Ray" Clemence pertence ao restrito clube dos grandes jogadores que fizeram mais de mil jogos oficiais durante a carreira. Morreu em 2020, tinha 72 anos. Lembrei-me dele nem sei porquê e deram-me saudades do David Alves, que morreu estupidamente muito mais cedo na idade, numa idade em que até devia ser proibido morrer. O David morreu e ficámos todos a perder. Portei-me mal com o David, e nunca lhe agradeci como devia todo o bem que ele me quis e fez, tudo o que me ensinou da vida, das vidas. É um dos meus maiores arrependimentos, e oh se tenho tantos! Ia escrever quatro linhas sobre o Clemence, e afinal era outra coisa...

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia do Goleiro. No Brasil, evidentemente.)

Vitorino em Fafe, sábado


Vitorino sobe ao palco do Teatro-Cinema de Fafe no próximo sábado, dia 2 de Maio, pelas 21h30. Mais informação, aqui.

sábado, 25 de abril de 2026

À la Trump ou à la Kim Jong-un?

Facebook Feiras Francas de Fafe

Há aqui qualquer coisa que não bate certo nesta estranha composição, publicada há bocadinho no Facebook das Feiras Francas de Fafe. Alguém se enganou ou confundiu, tenho certeza de que sem má intenção. Alguém caiu nas armadilhas da alegada porém sedutora inteligência artificial, que presume mais do que sabe - e geralmente, nas coisas miúdas, nossas, mete água. Eu, que sou tanto da Justiça de Fafe, até me arrepiei. (Não me arrepiei nada, apenas sorri). O 25 de Abril não foi isto, embora, concordo, 25 de Abril sempre! Sobre o que é realmente a Justiça de Fafe, recomendo a leitura de "À Justiça o que é da Justiça". Quando às Feiras Francas de Fafe propriamente ditas, melhores dias virão, e são já a meio do próximo mês.

A mulher é uma arma


Hoje, no Largo, em Fafe, a partir das 18 horas, espectáculo musical "A Mulher É Uma Arma", comemorando o 25 de Abril. Com a participação de Lena d'Água, Joana Amendoeira, Iolanda, Luanda Cozetti, Viviane, Patrícia Antunes, Patrícia Silveira e Rita Laranjeira. Entrada livre.

Viva a liberdade! Abaixo as cuecas!

Christina Aguilera informou que não usa cuecas. Foi aqui há uns anos, lembram-se? Veio nos jornais. A cantora norte-americana fez saber que gosta de se sentir livre, e as cuecas não deixam. E eu ponho-me a cismar: às tantas, quando os nossos governantes nos mandam baixar as calças, só estão a pensar no nosso bem...

P.S. - Hoje é Dia da Liberdade.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Celebrar a mulher cantando Abril


"A Mulher É Uma Arma", espectáculo musical comemorativo da Revolução dos Cravos, no próximo sábado, a partir das 18 horas, na Praça 25 de Abril, Fafe. Reflexão sobre liberdade, resistência e o papel transformador da mulher na história e na sociedade, com a participação de Lena d'Água, Joana Amendoeira, Iolanda, Luanda Cozetti, Viviane, Patrícia Antunes, Patrícia Silveira e Rita Laranjeira. Entrada livre.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Viver Abril no Café Avenida


O Núcleo de Artes e Letras de Fafe promove amanhã, dia 23 de Abril, um sarau de música e poesia comemorando a Revolução dos Cravos e a liberdade. O evento decorre a partir das 21h30, no emblemático Café Avenida, na cidade de Fafe. Entrada livre. Mais informação, aqui.

Teatro no Grupo Nun'Álvares


Domingo, 26 de Abril, pelas 21 horas, no Auditório do Grupo Nun'Álvares, Fafe. Teatro, "A Revolta", para comemorar a liberdade. Entrada grátis para idosos e pensionistas. Os bilhetes deverão ser levantados na secretaria do Grupo Nun'Álvares.

terça-feira, 21 de abril de 2026

A Arte de Roubar Fruta, de Francisco Duarte Mangas


"A Arte de Roubar Fruta", mais recente livro de Francisco Duarte Mangas, é apresentado na próxima sexta-feira, dia 24 de Abril, a partir das 21 horas, no Auditório Germano Silva da Biblioteca Municipal de Penafiel. O evento celebra simultaneamente o Dia Mundial do Livro e as comemorações do 25 de Abril. Apresentação a cargo do jornalista Valdemar Cruz.
Um romance violento cheio de ternura. "Em Vilar de Piscos, um lavrador abastado é abatido em casa por elementos das guerrilhas antifranquistas. O atentado dos guerrilheiros em território português provoca uma ação conjunta das polícias políticas de Salazar e Franco: culmina, dois dias antes do Natal de 1946, no cerco e bombardeamento de Cambedo, povoação da raia, onde se refugiam os comandantes das guerrilhas. Em paralelo a esta narrativa, uma outra se desenrola, em S. Bento das Gavieiras, no período do «Verão Quente». Como é vivida a Revolução numa aldeia do Minho? Como se movimenta a Rede Bombista de extrema-direita nas geografias do fim do mundo? As narrativas cruzam-se, algumas personagens atravessam os dois tempos históricos. Porque a maldade é intemporal, diz Armindo Pega, o homem das palavras estranhas, amigo de Justiniano, criado de servir, aterrorizado com os comunistas que lhe querem comer a orelha esquerda. A Arte de Roubar Fruta, onde a paixão das palavras está sempre presente, é um romance sobre a coragem - de homens e mulheres que resistiram à violência fascista, em Portugal e no país vizinho."
Francisco Duarte Mangas nasceu em Rossas, Vieira do Minho. Jornalista, ficcionista, poeta e autor de livros para a infância, é um escritor premiado.

domingo, 19 de abril de 2026

Parabéns, Bombeiros de Fafe


Os Bombeiros Voluntários de Fafe assinalam hoje 136 anos de existência ao serviço da comunidade. Eu e os Bombeiros temos uma história, que estou a contar esta semana, todos os dias, no meu blogue Mistérios de Fafe. Sobre a instituição e o seu aniversário, mais informação aqui.

Vitorino no Teatro-Cinema de Fafe

Foto Município de Fafe

Maio, no Teatro-Cinema de Fafe. Dia 2, Vitorino. Dia 8, Filhas da Mãe. Dia 9, hOLD, dança. Dia 22, Tiago Castro, Agora noutro lugar. Dia 23, Ciclo de Teatro em Família, "Boca Aberta - TNDMII". Dia 24, Ciclo de Teatro em Família, "Som a Som, Tom a Tom". Dia 30, Mafalda Veiga & Ensemble Ibérico. Mais informação, aqui.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Ezequiel no Teatro-Cinema

Foto Município de Fafe

Ezequiel sobe amanhã ao palco do Teatro-Cinema de Fafe, para apresentar o seu álbum de estreia, "Reflexo". "Ciclo" é o título do novo single do músico fafense. Espectáculo a partir das 21h30. Mais informação, aqui.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Vivam os Bombeiros de Fafe!

Foto Hernâni Von Doellinger

Os Bombeiros Voluntários de Fafe fazem 136 anos no próximo domingo, dia 19 de Abril. Eu e os Bombeiros temos uma história, que estou a contar esta semana, todos os dias, no meu blogue Mistérios de Fafe.

terça-feira, 14 de abril de 2026

Marcha da Liberdade em Fafe


Marcha da Liberdade, 23.ª edição, organizada pelos Restauradores da Granja, Fafe, no dia 25 de Abril, "por terras com encanto natural e rural". Cepães-Fafe-Golães, um percurso de 8 quilómetros, considerado de baixa dificuldade. Inscrição obrigatória até ao próximo dia 21 de Abril. Toda a informação, aqui.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Santo Rock d'Abril


Festejar a liberdade com o bom rock fafense. Dia 25 de Abril, a partir das 22 horas, na Casa do Artista, em Santo Ovídio, Fafe. ThePende e Guitarra & Contrabanda são cabeças de cartaz. Mais informação, aqui.

Daniel Bastos faz conferência em Andorra

Foto blogue Morgado de Fafe

"Memórias da Ditadura: Sociedade, Emigração e Resistência" é o tema da conferência que o historiador fafense Daniel Bastos vai proferir em Andorra, no próximo dia 25 de Abril. Promovida pelo Consulado-Geral de Portugal em Andorra e pelo Grupo Casa de Portugal, e contando com o apoio do Instituto Camões e da Comú d’Andorra la Vella, a iniciativa integra o ciclo de comemorações do 25 de Abril e decorrerá, a partir das 17 horas, no Centro Cultural La Llacuna. Mais informação, aqui.

sábado, 11 de abril de 2026

À grande e à... francesinha


Festival da Francesinha, organizado pelos Leões do Ferro, na sede do grupo, n.º 59 do Bairro Manuel Cardoso Martins, zona da Fábrica do Ferro, Fafe. No próximo sábado, dia 18 de Abril, a partir das 19 horas. Anunciado "serviço à mesa e take away". Só não vão a casa. Mais informação, se a houver, aqui.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Os Sexy Rannas

Conversing
- Estás com pressing?
- Não. Por acaso até tenho timing.

Outubro de 2015. Morreu Jim Diamond, o escocês que cantou I should have known better. A notícia, apresentada desta maneira, apanha-me completamente desprevenido. Não faço ideia de quem é o falecido, e o nome da cantiga, assim em estrangeiro, também não me diz grande coisa, porque sofro de disfunção relacionada com títulos e letras de canções, sejam as canções e os títulos e as letras em que língua forem. Só conheço as melodias, e apenas de vista. A minha ignorância é, realmente, formidável.
Mas quem procura sempre alcança, como dizia o sábio ginecologista polinésio. Procurei, portanto, e cheguei lá. Ao Jim Diamond, que continua a não me dizer nada, mas agora por razão de força maior, e à cantiga em questão. À melodia. E aqui, sim, veio-me à memória um extraordinário grupo de rapazes que fizeram época em Fafe na década de oitenta do século passado e que, se não me engano, criaram no Café Chinês uma interessantíssima versão aportuguesada do tal sucesso de Diamond, versão essa injustamente ignorada pela Billboard. Paródia e paronímia, com todas as sílabas a baterem certo com o inglês original, seria, se bem me lembro, algo parecido com o que se segue a respeito do meu primo Zé, que por acaso também era da corda: "O Bomba não bebe. Não bebe, não bebe, não bebe, não bebe pouco. O Bomba não bebe. Não bebe, não bebe, não bebe pelo nariz"...
Creio que também não erro se disser que aquela rapaziada fez a mesma habilidade com a canção "Somebody", de Bryan Adams, mas a propósito do assassínio de Issam Sartawi, representante da OLP (Organização para a Libertação da Palestina) no XVI Congresso da Internacional Socialista, em Montechoro, Algarve, em 1983.
Lembrei-me dessa malta toda e deu-me vontade de rir, ri-me como um perdido e soube-me bem: eles eram - não sei se vou dizer correctamente - os Sexy Rannas, assim autoproclamados, eram a geração e o bando do meu irmão mais novo, meninos para o preciso, transgressores mansos, gente do melhor que Fafe tinha, e, se andarem por aí, o que lhes estimo é o que lhes desejo, a todos em geral e a cada um em particular, mais às respectivas e excelentíssimas famílias, se é que chegaram lá.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Issam Sartawi foi assassinado no dia 10 de Abril de 1983.)

quarta-feira, 8 de abril de 2026

domingo, 5 de abril de 2026

Tertúlia literária no Avenida


Tertúlia literária a propósito da obra "O Império das Sombras", de Fernando Pinheiro, na próxima sexta-feira, dia 10 de Abril, pelas 21h30, no Café Avenida, em Fafe. Organização do Núcleo de Artes e Letras de Fafe, com intervenções de Artur Ferreira Coimbra e Augusto Lemos. Entrada livre. Mais informação, aqui.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Compasso pascal em Fafe

Foto Paróquia de Fafe-Santa Eulália

São 43 os compassos pascais que vão sair à rua em Fafe, no próximo domingo, a partir das 9 horas. Todos os percursos podem ser vistos aqui.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Três dias de Ano Malfeito


O Ano Malfeito está de volta a Fafe, passando pelo Café Avenida, Sala Manoel Oliveira e Estação Memória. Amanhã, sexta e sábado, 2, 3 e 4 de Abril. Programa e toda a informação, aqui e aqui

terça-feira, 31 de março de 2026

Abril no Teatro-Cinema de Fafe

Foto Município de Fafe

Em Abril, no Teatro-Cinema de Fafe: Joana Marques, "Em sede própria", no dia 4, Mimi no Mundo da Fantasia, no dia 12, Ezequiel, no dia 17, Casa da Amália, no dia 25, e Teatro da Palmilha Dentada, "O 25 de Abril nunca aconteceu", no dia 30. Mais informação, aqui.

segunda-feira, 30 de março de 2026

sexta-feira, 27 de março de 2026

Câmara de Fafe pede figurantes

Foto Município de Fafe

A Câmara de Fafe avisa para um pedido de figurantes para a longa-metragem "An Odd Enchantment", de Sara Driver, com a participação de Inês de Medeiros, que terá uma cena filmada no Teatro-Cinema, no próximo dia 8 de Abril. Quer-se pessoas entre os 18 e os 70 anos. O trabalho será pago. Mais informação, aqui.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Dia dos Moinhos em Fafe

Foto Município de Fafe

Fafe assinala o Dia Nacional dos Moinhos no próximo dia 7 de Abril, em Aboim, com um interessante programa de visitas e descobertas desenhado pelo Município em parceria com a União de Freguesias de Aboim, Felgueiras, Gontim e Pedraído. A participação é gratuita, mas sujeita a inscrição prévia. Mais informação, aqui.

segunda-feira, 23 de março de 2026

António Fontinha na Biblioteca de Fafe


O contador de histórias António Fontinha vai estar na Biblioteca Municipal de Fafe, no próximo sábado, 28 de Março, a partir das 10h30, com os seus "Contos Tradicionais Portugueses". A participação é gratuita, mas sujeita a inscrição obrigatória, já aberta. Mais informação, aqui.

Joana Marques no Teatro-Cinema de Fafe


Joana Marques sobe ao palco do Teatro-Cinema de Fafe, no próximo dia 4 de Abril, em duas sessões, pelas 17h30 e pelas 21h30. A comediante traz o seu espectáculo "Em Sede Própria". Mais informação, aqui e aqui.

domingo, 22 de março de 2026

Espantosos espantalhos

Foto Biblioteca Municípal de Fafe

A exposição de espantalhos "Justo, o Espantalho Poeta" foi ontem inaugurada em Fafe. É a quarta edição do certame, a mais participada de sempre, com 26 trabalhos espalhados pelos jardins da cidade. Iniciativa da Biblioteca Municipal, pode ser vista até ao dia 11 de Abril. Mais informação, aqui.

sábado, 21 de março de 2026

O corredor ecológico

Era um corredor verdadeiramente ecológico. Corria em bicos de pés, em pezinhos de lã, quer-se dizer, de carapins. Para reduzir a pegada.

P.S. - A Câmara de Fafe inaugurou hoje os seus "corredores ecológicos", assinalando o Dia Mundial da Árvore. De acordo com as fotografias oficiais - que perigosas andam as fotografias, valem mais que mil palavras e são faca de dois gumes - , de acordo com as fotografias oficiais, dizia, foi mais uma cerimónia para as fotografias oficiais. Parece que Fafe não tem povo. Antigamente tinha.

sexta-feira, 20 de março de 2026

O beijo

Hoje é Dia da Língua Francesa. É oficial, está no calendário. Como não aproveitar?

P.S. - Hoje é Dia da Língua Francesa.

quarta-feira, 18 de março de 2026

Via-sacra cantada na Igreja Nova


Na próxima sexta-feira, dia 20 de Março, às 21h15, a Igreja Nova de São José acolhe um momento singular de oração e de fé, com a realização de uma via-sacra integralmente cantada. O concerto estará a cargo do Grupo de Louvor de Fafe e Fornelos, do Curso Alpha. A iniciativa é de entrada livre e aberta a toda a comunidade. Mais informação, aqui

A Póvoa agora é em Fafe

Vá ver a neve, antes que ela apareça
A melhor altura para ir ver a neve à serra da Estrela, acho eu, é agora, no Verão, se possível em pleno Agosto, quanto mais sol, melhor. Não há neve, mas pode-se passar.

É extraordinário o que se passa em Fafe por estes dias. Finalmente sem precisar da Póvoa de Varzim para nada, quem havia de dizer, Fafe tem a sua própria época balnear, de papel passado, reconhecida pelo notário, anunciada em edital, com bandeira e diploma, talvez até com batata frita à inglesa, bolas de Berlim, língua da sogra e caladinhos, nadadores-salvadores, mirones, pedintes e carteiristas. Serviço completo. Que coisa tão estranha para um tipo antigo como eu! Sobral de Monte Agraço teve, à altura, o seu parque infantil, que saiu no Tide e dava na televisão, e Fafe agora também tem época balnear, como os outros brasis e algarves da concorrência, sem lhes ficar atrás. Que sainete! Foi preciso esperar pelo século XXI, aguentar pacientemente as patifarias das alterações climáticas, inclusive correntes de ar, mas valeu a pena: Fafe está realmente mais fresco.
O meu irmão Nelo bem dizia, em pequeno, que, quando fosse grande, ia mandar construir uma praia em Fafe, uma praia com mar e tudo. E a verdade é só uma. Não foi o nosso Nelo, por acaso, mas alguém a construiu, e em boa hora, ela aí está, a praia da Barragem de Queimadela, ele aí está, o nosso mar, o sexto oceano, aberto ao expediente e em glorioso funcionamento. O nome "de Queimadela", para praia, se calhar não será o mais feliz, o mais acolhedor, por assim dizer, antes pelo contrário, mas, pronto, já constava, vinha de trás e, portanto, não havia volta a dar, esqueçamos o pormenor. Qualquer dia, estamos mas é a receber camionetas de poveiros, que vêm à procura do que é bom.
Para mim, no meu tempo, antes da construção do nosso mar, Fafe tinha três esplêndidas estâncias balneares: o Poço da Moçarada, em Docim, o Comporte, na Fábrica do Ferro, e Calvelos, em Golães, pelos campos de Sá, atravessando a linha do comboio. Eu e os rios éramos unha com carne. O rio São Roque, no Poço da Moçarada, explorando montes e leiras, com as suas belas cachoeiras e penedos polidos pela apressada e antiga passagem da água, foi onde aprendi a nadar, a fumar e várias outras parvoíces, mas nunca tive coragem para me atirar sequer do "segundo penedo", quanto mais do "terceiro", lá nas alturas do céu. O rio Ferro, mais à mão, no Comporte, secando ao sol no pequeno areal junto ao pontão que ligava ao Bairro de Antime. O rio Vizela, em Calvelos, uma curva selvagem, escondida no meio de impenetráveis milheirais, silvedos jurássicas e outra vegetação manifestamente africana, eu, palavra de honra, ouvia batuques ao longe e via macacos saltando de choupo em choupo, como se fossem artistas de circo, trapezistas voadores evadidos da Feira Velha. Três oásis que eu, na minha boa fé ou ingenuidade infantil, supunha longínquos, praticamente inacessíveis e secretos. Sítios de banhos, puros e duros, sem facilidades, só para homens de barba rija. E nós, os putos, sorrateiramente desenfiados, lingrinhas de pé descalço e pila ao léu, autoprojectos assumidos de futuros ecoturistas, hippies sem sequer fazermos ideia, íamos para lá treinar para a Póvoa de que ouvíamos falar, porque algum dia havia de ser. O pior era a minha mãe, que parecia que tinha radar e, uma desgraça nunca vem só, sabia sempre por onde é que eu andava e o que fazia. E, portanto, ia-me buscar. Pelas orelhas. Eu chorava e prometia que nunca mais, pelo menos até à tarde do dia seguinte.
Eu sou, aliás, especialista em épocas e instalações balneares. Não ouso colocar Fafe no topo da lista nacional de estâncias termais, seria porventura um exagero, e eu não sou disso, mas a verdade é que conheci muito bem os balneários do Campo da Granja e ainda cheguei a entrar nos balneários do Campo de São Jorge, então já oficialmente desactivado, mas funcional para jogos escolares ou de solteiros contra casados. Eu seria miúdo de escola primária. Três ou quatro anos depois, quando o Estádio começou a ser construído, nas vésperas da década de setenta, os vestiários foram provisoriamente montados na cave do quartel dos Bombeiros e eu passei a ser freguês diário do Senhor Zé Manquinho, o roupeiro dos roupeiros, numa amizade sem fim. Como decerto sabeis, eu era neto do quarteleiro, estava sempre ali de plantão, era só descer as escadas. Nas férias do seminário, não tínhamos água quente em casa, e era no balneário da AD Fafe que eu tomava banho duas ou três vezes por semana, antes dos jogadores chegarem para os treinos e sem estorvar o despacho. Levava toalhão, sabonete e roupa interior para mudar. Por sugestão do Senhor Zé Manquinho, eu era conhecido nas catacumbas como "o homem que adormece no chuveiro", tamanho era o prazer que o duche me dava e o tempo que eu lá passava, debaixo de água, nem sei como é que nunca engelhei da cabeça aos pés. Era uma espécie de Homem da Atlântida ou Aquaman, mas às pinguinhas.
Com o banho, eu tinha direito a uma bebida. Isto é, não tinha direito a bebida nenhuma, mas fazia-me e ela. Inventava um ligeiro afrontamento, queixava-me de uma pontada de azia, e o Senhor Zé já sabia. Mandava-me esperar pelo João Americano, o massagista, o único que tinha a chave da "Farmácia", palavra escrita a esferográfica azul no adesivo colado na testa do pequeno armário branco e vidrado com três prateleiras que era a própria "Farmácia" e pouco maior do que uma mesinha-de-cabeceira. O João chegava da fábrica, gozava comigo, falava muito alto, esganiçado, parecia a cantadeira de um rancho folclórico, mas também já sabia: dava-me um copo de água com uma colher de "sais de fruto", Eno, se bem me lembro, eu adorava aqueles piquinhos, bebia regalado, uma, duas goladas sem deixar cair, arrotava com toda a categoria e, boa tarde e muito obrigado, estava pronto, estava feito.
Admito que foi ali que o João Americano, o Senhor Zé Manquinho e eu inventámos o spa com champanhe, conceito hoje em dia tão coisa e tal, mas evidentemente não sabíamos.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. A ligação do Metro do Porto até à Póvoa de Varzim foi inaugurada no dia 18 de Março de 2006. Faz hoje 20 anos.)

terça-feira, 17 de março de 2026

Terra Mãe distinguido nos Iberian Festival Awards


O Eco Festival Terra Mãe, que decorre em Fornelos, no concelho de Fafe, foi distinguido com o prémio nacional na categoria Contributo para a Sustentabilidade, na 10.ª edição dos Iberian Festival Awards. O Terra Mãe regressa a 17, 18 e 19 de Julho, sob o lema do costume: "Três dias para mudar o mundo, três dias para mudar de vida". Mais informação, aqui e aqui.

Viva o Notícias de Fafe!

Notícias de Fafe

O jornal Notícias de Fafe faz 14 anos. O primeiro número saiu para a rua no dia 16 de Março de 2012 e esta sexta-feira vai para as bancas a sua edição 731. Muitos parabéns! Mais informação, aqui.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Um teatro chamado Cinema

Foto Hernâni Von Doellinger

Banho-maria
Ele tinha piada. Dizia que era artista de "stand by" mas que, de momento, mantinha a carreira em "stand up".

Eu respeito o Teatro-Cinema de Fafe. O Teatro-Cinema de Fafe diz que se chama Teatro-Cinema, até tem o nome escrito na testa, "Teatro-Cinema", a bombar desde 1923, e eu cumpro-lhe a vontade, honro-lhe as origens, não vou agora chamar Silva ao Antunes só porque me apetece. Para mim, o Teatro-Cinema é o Teatro-Cinema. Isto é, Teatro-Cinema com hífen, isto é, com tirete, isto é, com traço-de-união, isto é, com traço, isto é, com tracinho, como diz o povo. Teatro-Cinema, assim, como lá está. Outros não pensam desta maneira.
Há quem lhe chame Cine-Teatro, até em documentos moderadamente lisboetas e oficias, e cineteatro, em bom rigor, quer dizer exactamente o mesmo que teatro-cinema, isto é, edifício que permite ou onde se realizam espectáculos de cinema e teatro ou vice-versa. É, portanto, correcto quanto ao conteúdo. Mas o nome verdadeiro está lá em cima, indesmentível, no bilhete de identidade, "Teatro-Cinema".
O meu avô da Bomba e os da geração do meu avô da Bomba chamavam-lhe, é verdade, Cine-Teatro, lembro-me disso, era nome em voga. O meu pai, eu e os da minha geração chamávamos-lhe e chamamos-lhe Cinema, porque no nosso tempo era o que lá havia e dizia-nos respeito, era o que tínhamos e amávamos, cinema. Mas, insisto, o Teatro-Cinema, chamem-lhe os nomes que quiserem, se lhe perguntarem, diz que se chama "Teatro-Cinema". Está à vista de toda a gente.
Entretanto, não sei quem, mas doutores certamente, não sei quando nem sei porquê, a coberto da noite e da Câmara Municipal, alguém foi, vamos um supor, ao Teatro-Cinema e sonegou-lhe o hífen, isto é, o tirete, isto é, o traço-de-união, isto é, o traço, isto é, o tracinho, como diz o povo. E agora os serviços e a propaganda do Município chamam Teatro Cinema ao nosso Teatro-Cinema, quem dera que não se lembrem também de ir a Braga abafar o agá do Theatro Circo.
Ora bem. Fafe tinha o Teatro-Cinema. O Teatro-Cinema, de Fafe, edifício-sala-local para apresentações teatrais e sessões cinematográficas. Agora tem o Teatro Cinema, isto é, um teatro chamado Cinema, isto é, Teatro Cinema, como Teatro Fernandes, como Teatro Maria Alice, como Teatro Aberto, como Teatro Privado. A palavra Cinema passou a nome do teatro. Teatro Cinema. Se ainda fosse no meu tempo, que era só filmes, ainda vá que não vá, mas actualmente, que é sobremaneira palco e o cinema mora ao lado, não vislumbro o sentido da coisa. Outros certamente vislumbrarão.

Resumindo e concluindo. A Câmara de Fafe, isto é, a autarquia, isto é, o Município, tem de fazer alguma coisa - porque, de momento, no que respeita ao Teatro-Cinema, a letra não bate com a careta, esta é que é a verdade. E eu sei muito bem como é que a coisa se resolvia. Era chamar a "magirus" dos Bombeiros e mandar lá acima um trolha de confiança e, se possível, acrobata, para apagar de vez o hífen, isto é, o tirete, isto é, o traço-de-união, isto é, o traço, isto é, o tracinho, como diz o povo. E os doutores passavam a ter razão.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe)

Teatro no Teatro-Cinema


"O Morgado de Fafe Amoroso", comédia de Camilo Castelo Branco, sobe ao palco do Teatro-Cinema de Fafe no dia 28 de Março, sábado a oito, pelas 21h30. Criação e produção da Filandorra, Teatro do Nordeste, assinalando os 200 anos do nascimento do grande escritor. Mais informação, aqui e aqui.

domingo, 15 de março de 2026

Daniel Bastos na Califórnia

Foto blogue Morgado de Fafe

O historiador Daniel Bastos vai à Califórnia, EUA, para dar a conhecer o seu livro "Monumentos ao Emigrante - Uma Homenagem à História da Emigração Portuguesa". Será no início de Abril, um ciclo de apresentações no estado norte-americano com a maior concentração de população de origem portuguesa. Mais informação, aqui.

As meninas... dançam?


Lembrais-vos do futebol de salão? O que é que me vinha à cabeça quando se falava de futebol de salão? O salão. Uns cavalheiros vestidos de fraque e com um número nas costas e umas cavalheiras despidas nas costas e no resto, agarrados um ao outro e rodopiando pelo salão nobre do Teatro-Cinema como Fred Astaire e Ginger Rogers e uma bola pequenina no meio, um árbitro e o apito, um júri e tabuletas com pontuações. Para evitar ambiguidades, o futebol de salão passou a chamar-se futsal, joga-se em polidesportivos, como, por exemplo, no pavilhão do Grupo Nun'Álvares, e é o sucesso que se sabe...

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. O Grupo Nun'Álvares acaba de vencer a Taça da Liga feminina de futsal, levada até ao drama dos penáltis. Mais um título nacional, uns atrás dos outros, coisa nunca vista, um assombre! Se estas grandes vitórias não fossem conseguidas, regra geral, à custa do Benfica, o que condói sobremaneira o País desportivo e político, inclusive cá em cima, as nossas meninas certamente já teriam uma estátua em Fafe...)

Valter Lobo, "Melancólico Dançante"


Valter Lobo volta ao palco do Teatro-Cinema de Fafe, para apresentar "Melancólico Dançante", o seu mais recente álbum de originais. No próximo sábado, dia 21 de Março, pelas 21h30. Mais informação, aqui e aqui.

sábado, 14 de março de 2026

O mar começa em Fafe, devagarinho

O leitor
Ele era um leitor compulsivo. De contadores de água, luz e gás.

O rio Vizela nasce em Fafe, exactamente no Alto de Morgair, antiga freguesia de Gontim. Depois de banhar Fafe, sobretudo na barragem de Queimadela, o rio Vizela passa também, por esta ordem, pelos concelhos de Felgueiras, Guimarães, Vizela, a que dá nome, e Santo Tirso. Neste seu interessante percurso, o rio Vizela acolhe diversos e variados influentes. O influente mais importante, isto é, o mais influente, é o nosso rio Ferro, mas não podemos esquecer o rio Bugio e, se não me engano, as ribeiras de Docim, de Moreira e de Ribeiros e o ribeiro de Costas Antas. São influentes porque eles é que abastecem de água o rio Vizela, que, por sua vez, é influente do rio Ave, que vem da serra da Cabreira, Vieira do Minho, e desagua no oceano Atlântico, em Vila do Conde. Creio portanto não ser exagero nenhum dizer que o mar começa em Fafe, pelo menos um bocadinho.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Internacional de Acção pelos Rios.)

Hélder Barros assume comando da GNR de Évora

Foto GNR

O coronel Hélder Barros é o novo responsável pelo Comando Territorial de Évora da Guarda Nacional Republicana. Fafense, 47 anos, Hélder Barros é mestre em Ciências Militares, na especialidade de Segurança, pela Academia Militar, e detém pós-graduações em Criminologia, Ciências Militares e Policiais e Ciências Militares, Segurança e Defesa. Ao longo da carreira desempenhou diversas funções de comando e direcção, foi director de Formação da GNR, chefe do Serviço de Segurança da Assembleia da República, porta-voz da Guarda e chefe da Divisão de Comunicação e Relações Públicas, bem como adjunto do gabinete do Comandante-Geral, chefe da Repartição de Estudos e Planeamento da Direção de Operações e comandante do Centro de Inativação de Explosivos e Segurança em Subsolo, acumulando várias condecorações e louvores.

sexta-feira, 13 de março de 2026

Um cartaz para as Festas

Quarteto de cordas
Eram um excelente quarteto de cordas: de sisal, de propileno, bamba e estática. As quatro acompanhavam regularmente a corda vocal. Quando assim, eram o Quinteto da Corda.

As Festas, se as chamo assim com maiúscula, só podem ser umas: as da Senhora de Antime, que já foram da vila, depois do concelho, depois da cidade, agora de Fafe, mas isso não interessa para nada, porque elas são é da Senhora de Antime. E cartaz, quando digo cartaz, quero dizer aquele papelão com desenhos ou fotografias, letras e números que anuncia as Festas, só para as situar no tempo, obra de autor, uma marca, um marco, talvez agora se chame qualquer coisa em inglês, mas não faço a mínima ideia. Cartaz, para mim, não é a lista de quem vem cá cantar, quero lá saber. Isso, se calhar, é o programa, mas também me é indiferente - chamai-lhe os nomes que quiserdes.
Ora bem. Fafe é uma terra de artistas, ó se Fafe é terra de artistas, é e não são assim tão poucos, e cada um mais artista que o outro, uma fartura só comparável à ausência de um verdadeiro cartaz para as Festas há não sei quantos anos. Vejo disso em todo o lado, cartazes de categoria, nas grandes romarias, em cidades que se prezam, verdadeiramente cosmopolitas, mas também em festas de caracacá e terras assim-assim, às vezes autênticas obras de arte, material de colecção, e eu, fafense e sem nada para guardar ou mostrar, fico envergonhado, triste e invejoso.
Custará assim tanto à Câmara Municipal abrir um concursozinho para o cartaz das Festas de Fafe? Um concursozinho, digo bem, porque, se a coisa for por encomenda, a gente já sabe quem ganha. Um concursozinho. Dará assim tanto trabalho? Será assim tão caro, tão fora do orçamento?
Olhai para Matosinhos, e o que vedes? As Festas do Senhor de Matosinhos, que têm sempre o seu cartaz. O Município até manda fazer livros magníficos com eles, com os cartazes antigos e artísticos. O cartaz do ano passado era da autoria do escritor Valter Hugo Mãe, que o fez de borla, ofereceu-o e pronto.
Olhai para Ponte de Lima, e o que vedes? Todos os anos é lançado concurso para a criação do cartaz oficial das Feiras Novas. Já são conhecidas as dez propostas finalistas para a edição deste ano e a escolha do cartaz vencedor será feita, pela primeira vez, por votação via SMS, aberta a todos os limianos maiores de idade.
Olhai para Fafe, e o que vedes?

(Do meu blogue Mistérios de Fafe)

quinta-feira, 12 de março de 2026

Concerto na Igreja Matriz


Música coral na Igreja Matriz de Fafe, no próximo domingo, dia 15 de Março, a partir das 15h30. Concerto comemorativo dos 75 anos do boletim paroquial Igreja Nova, a cargo do Coro de Câmara Patris Corde, dirigido pela maestrina Verónica Costa. Mais informação, aqui.

quarta-feira, 11 de março de 2026

Aldrabons e aldramaus

Mal agradecidos
O homem-estátua foi despedido. Por falta de produtividade. Logo ele que tinha sido contratado para não mexer uma palha.

Por que razão medram tanto os aldrabões em Portugal? Por que razão vamos a votos e mandamos para o poleiro os aldrabões, de variada cor, como se por acaso acreditássemos neles, regra geral? Os aldrabões que antes e/ou depois estão nos bancos, nas edepês, nas caixas, nas renes, nas cepês, nas referes, nas misericórdias, nos metros, nos centímetros, nas construtoras, nas destrutoras, nos superescritórios de advogados, nos supermercados de escravos, nas fundações, nas afundações, nas jotas, nas motas, nas assessorias, nas tias, nas televisões e nos jornais, no parlamento, no barlavento e no sotavento, e têm do povo uma vaga ideia. Por que razão, se nos queixamos tanto deles?
Andava com esta dúvida fisgada nem sei há que tempos, mas no outro dia tive a inesperada revelação, quase sem querer, ao ouvir um minhoto retinto a falar. Um minhoto de Fafe, evidentemente, dos nossos. O homem antigo falava de não sei quem e chamava-lhe aldrabom. Isso, aldrabom. Os minhotos de cá de baixo agarramo-nos ao pouco que já nos resta do galego purinho e falamos assim, trocamos o excêntrico ão pelo ancestral om, daí a confusom, e se calhar acreditamo-nos: ora aí está um aldra que é bom, pensamos na melhor das nossas intenções e caímos na esparrela. Porque "eles" não são aldrabons. São aldramaus.

P.S. - Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia da Desmistificação. Acerca da invenção do ditongo ão, imposto à modernidade pelo eixo Lisboa-Coimbra, recomendo a leitura de "Assim Nasceu Uma Língua", de Fernando Venâncio, Capítulo 6 - Ão, uma espécie invasiva.

segunda-feira, 9 de março de 2026

Valter Lobo no Teatro-Cinema


Valter Lobo apresenta-se no Teatro-Cinema de Fafe, no próximo dia 21 de Março, pelas 21h30. Já nesta sexta-feira, dia 13, também pelas 21h30, será Samuel Úria a subir ao palco. Mais informação, aqui.

domingo, 8 de março de 2026

Halterofilando

Foto Hernâni Von Doellinger

Crónica Feminina

A actriz
Ficou famosa por ser a primeira mulher a fazer de Super-Homem.

Vieram as calças, e ela nada. Os movimentos libertários, o divórcio, o voto, a canasta, os empregos, os carros, os cigarros, as gravatas, os cafés, os sapatos de salto baixo e os sapatões também vieram, e ela nada. Em casa, sempre em casa, de uma virgindade absoluta em relação ao amantíssimo esposo e demais, bordava, falava francês e tocava piano. Ouvia os discos pedidos e lia Corín Tellado. E dava alpista ao canário. E regava os vasinhos, ela própria uma flor de estufa, no larguinho da vila antiga. E compunha almofadinhas e peluches e corações por sobre o delicado leito conjugal. Muito cor-de-rosa, muita renda na roupa interior que só ela sabia, muito tafetá, muitos lacinhos e sabonetinhos. Tanto pó de talco e perfume! Tão mulherzinha! Queimou uma vez um sutiã, é verdade, mas foi sem querer, passando a ferro, quando a serviçal lhe faltou. Tirando isso, nada. Parecia doença. Crónica. As vizinhas, que nem lhe conheciam o nome, chamavam-lhe, por graça, Crónica Feminina.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia da Mulher.)

Um longo caminho

Foto Hernâni Von Doellinger

sexta-feira, 6 de março de 2026

Quem vê caras não vê orações

Branco mais branco
Deu o braço a torcer. E depois pô-lo a corar. Era uma pessoa muito limpa.

Um daqueles famosos restaurantes de peixe na brasa aqui ao lado, na Rua Heróis de França, Matosinhos à beira-mar, estais a ver, já vos chegou o cheiro? Ainda é cedo. Pouco passa das oito da manhã, uma velhinha varre cerimoniosamente a esplanada que por acaso é passeio ocupado com ordem municipal, os peões têm de andar pela estrada, toureando carros felizmente em sentido único. Asseada como se fosse domingo, como se fosse Natal, a velhinha, corpo franzino, cabelos brancos de neve, ajeitados à moda da televisão, da telenovela, uma carinha doce, redonda como um minúsculo sol resplandecendo bondade, olhos apontados ao chão, espertos, criteriosos, os olhos, a velhinha varre varre, vagarosa e competente. Varre varre vassourinha, se varreres bem dou-te um vintém, se varreres mal dou-te um real. Se os anjos varressem e fossem velhinhas, e competentes, eram ela certamente e varreriam assim mais ou menos. Lembro-me de velhinhas tais quais no meu tempo de criança, em Fafe, as saudades doem-me na zona do fígado, estou também a ficar velho. A rua naquele sítio àquela hora éramos a velhinha e eu. Eu, que venho de mercar sardinhas madrugadoras e vivas, eventualmente clandestinas, estremeço de comoção. Trauteio distraidamente a lengalenga mansa e antiga, brincada à rodinha no Santo Velho, de mãos estendidas, mãos dadas, meninas e meninos sem distinção, recordo-os a todos e a todas, componho-lhes as caras, dou-lhes os nomes, turva-se-me a vista de repente e, carago, são lágrimas...
Varre varre a velhinha doce e cerimoniosa, olhos espertos e belos. Olhos que não enganam. Bondosos. Cara de sol, de anjo. E, eu a passar-lhe pelas costas em pezinhos de lã, para não incomodar, para não estragar cena tão encantadora, diz a velhinha, completamente distraída de mim, como se fosse um mantra ou, vá lá, a recitação atabalhoada do terço, à tardinha, na nossa Igreja Matriz, antes da bênção do Santíssimo: - Filhos da puta! Era mas é fodê-los! Mandá-los a todos prò caralho! À puta que os pariu!...
É. Ninguém diga que está livre, amém!

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Mundial da Oração.)

quinta-feira, 5 de março de 2026

Procissão dos Santos Passos


A Procissão dos Santos Passos de Fafe decorre na tarde do próximo domingo, dia 8 de Março. As cerimónias iniciam-se às 15 horas, na Igreja Matriz. Mais informação, aqui.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Do Costa Pacifica ao Costa do Assento

Reservado o direito de admissão
Foi má ideia aquele letreiro à porta do consultório - "Proibida a entrada de animais". Era um veterinário... 

Moro mesmo em frente ao mar, se for para a varanda e me puser de lado. A minha rua é o oceano. No meu quintal estacionam regularmente navios de passeio mediterranicamente atlânticos, paquetes carregados, descarregados e outra vez carregados de turistas rotundos e supersónicos que conseguem turistar o Norte de Portugal inteiro em menos de oito horas. Há quem chame ao meu quintal, por inveja ou ignorância, Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões. Mas não: é o meu quintal e mais nada.
Noutro dia parou ali em baixo o Costa Pacifica, um colosso. São quase trezentos metros de navio para 3.780 passageiros. E sabeis que mais? Eu vim de Fafe, uma terra evidentemente sem comparação, ainda para mais agora que também tem mar, basta ir à Barragem, qualquer dia começam a aparecer aí os navios, e, Costa por Costa, estávamos melhor servidos, tínhamos o Costa do Assento, que tocava concertina, uma vez deu na televisão a apoiar o General Ramalho Eanes e também era uma categoria de pessoa, não desfazendo. O Sr. Costa tinha tudo de bom, tirante o feitio: foi meu vizinho, bombeiro valente e lavrador de primeira apanha, "veterinário" autodidacta, espécie de curandeiro, endireita e parteiro dedicado em exclusividade ao gado sobretudo vacum, tocava e mandava no rancho folclórico, ensinava viras, malhões e jogo do pau, era casado com a boa Senhora Rosinda e pai do Zé e do Lando, jóias de moços que lhe herdaram as artes, e pegava assiduamente no andor da Senhora de Antime.
Mas aqui. Chegam, os turistas, e afigura-se-me que vieram para um congresso de cus na Exponor. Vê-los logo pela manhã é um espectáculo que não pára de maravilhar-me. Porque, conforme eles vão saindo, o barco vai subindo, fica mais alto, airoso, aliviado, parece-me. Depois, à tarde, regressam, os turistas, embarcam de requitó, pós-doutorados em sardinha assada e vinho do Porto, vão entrando e o barco começa a dar de si, amoucha, encolhe-se, queixa-se, parece-me, larga dois ou três lamentosos arrotos, zarpa devagar, devagarinho e não percebo como é que não se afunda.
Naquele tempo, nos tempos áureos do Costa do Assento, turistas éramos nós, os putos de Fafe, lingrinhas de pé descalço e pila ao léu, em sorrateiras escapadelas até às recônditas estâncias balneares do Poço da Moçarada, do Comporte ou de Calvelos, de onde, por norma e tradição, éramos sacados a ganir, puxados por uma orelha. A minha mãe parecia que tinha radar, e, uma desgraça nunca vem só, sabia sempre por onde é que eu andava e o que fazia. Que se segue? Os paquetes que agora me batem regularmente à porta chegaram tarde à minha vida, eu preferia tê-los visto atracar à poça do Santo ou à ponte do rio de Pardelhas, mas mais vale tarde que nunca, e mesmo agora dão-me bastante que pensar, suscitam-me reflexões de pequena e média profundidade que, não raro, gosto de partilhar. E daquela vez, olhando para o imponente Costa Pacifica, vieram-me à cabeça os cus. Os cus que os cruzeiros descarregam e recarregam.
Cu de turista não é brincadeira. É traseiro de bitola larga e se for cu americano então ocupa o mundo inteiro ou ameaça ocupar. Até parece que para se ser turista - turista diplomado - é preciso ter um cu daqueles. E o cu alemão e o próprio cu inglês também para lá caminham, não querem ficar atrás. O que diz tudo a respeito dos cus. Imagino que sejam muito ricos os camones com que me cruzo nas bordas do Porto de Leixões. Tão turistas e tão prendados de cu, serão decerto milionários. Engordam e viajam porque podem. E podem muito. Os cus precisam de arejar.
Na minha rua passa o mar. E, afinal, é porreiro ver navios. Por causa do Costa Pacifica, lembrei-me do Costa do Assento. Se quereis saber, ganhei o dia.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Mundial da Obesidade.)

Passeio sénior a Fátima

"O Passeio Anual Sénior, promovido pelo Município de Fafe, tem como destino Fátima e decorrerá nos dias 15 e 22 de maio. Os bilhetes sã...