quarta-feira, 13 de maio de 2026

Concerto de Primavera no Teatro-Cinema


Concerto de Primavera, 27.ª edição, no próximo dia 24 de Maio, domingo a oito, pelas 17 horas, no Teatro-Cinema de Fafe. Uma organização com a chancela de qualidade do Grupo Nun'Álvares e a participação do Coral Santo Condestável, Ensemble Momento e Coral de Gulpilhares. Os ingressos estão à disposição na secretaria do Grupo.

A receita da remessa

Uma infusa de satisfatórias dimensões. Vinho, branco ou tinto, e açúcar, de preferência amarelo, à moda de Fafe. Mexe-se com uma colher, se houver, ou com os dedos. Da mão. Junta-se-lhe cerveja ou, para coninhas, seven up. O equilíbrio das quantidades fica ao gosto do fabricante. Chama-se a isto "receita" ou "remessa" e deve beber-se bem fresco, mas sem gelo, porra! Os coninhas podem chamar-lhe cocktail...

Por outro lado. Há a questão das remessas familiares, tão importantes para a nossa economia, e neste caso as quantidades devem ser calculadas, ajustadas e acrescentados em função do número de parentes presentes. Se, em famílias mais numerosas e capazmente apreciadoras, uma infusa não for suficiente, então a remessa pode muito bem ser elaborada e servida num cântaro, num balde, num alguidar, numa bacia, no depósito da água, no tanque ou na banheira, se estiver de vago.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Mundial do Cocktail.)

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Fafe é que está a dar


E depois do Rali, o melhor de dois mundos: as Feiras Francas e a nossa vitela assada. Esta semana, em Fafe. Mais informação, aqui e aqui.

domingo, 10 de maio de 2026

Grândola é na Galiza

Os do 28 de Maio
Há os do 25 de Abril. E há os do 25 de Novembro. Uns são donos do 25 de Abril, os outros são donos do 25 de Novembro. E todos apresentam argumentos de propriedade sobre a data respectiva, alguns por herança, outros por usucapião, uns tantos por revelação divina, certos e determinados por puro e simples assalto, sendo curioso notar que abundam, enfim, os que por acaso até dão para os dois lados. É a vida. Os do 25 de Abril cantam bonitas cantigas. Os do 25 de Novembro, regra geral, são do 28 de Maio. E estão de volta.

Houve quem ficasse muito admirado, mas sem razão. Aqui atrasado, em Vigo, na Galiza, num jogo de futebol da primeira divisão espanhola, adeptos do Bétis, de Sevilha, entoaram cânticos fascistas e fizeram a saudação nazi. À saída, para além da derrota por 3-2 com o Celta, levaram também com "Grândola, Vila Morena" e a voz de Zeca Afonso ecoando no Estádio de Balaídos.
Não foi por acaso. Para começar, é tido como certo que a canção "Grândola, Vila Morena" foi estreada por Zeca Afonso, isto é, cantada em público pela primeira vez, exactamente na Galiza, em Santiago de Compostela, no Burgo das Naçons, no dia 10 de Maio de 1972. O Zeca, é também assim que ele é conhecido e referido pelos galegos de média cultura, passou largas temporadas na Galiza, deu por lá inúmeros concertos, andou e cantou por Lugo, Ourense, Pontevedra, Vigo e outros adiantes, fez imensos amigos, tinha e tem uma legião de fiéis admiradores, as comemorações e homenagens sucedem-se ainda hoje. Em Compostela há o Parque José Afonso e mantém-se em actividade a AJA Galiza - Associaçom José Afonso. Nos bares e ruas de Compostela canta-se e festeja-se "Grândola" como quem canta e festeja a "A Rianxeira". Não sei como é agora, mas ainda há meia dúzia de anos havia um pub lá para as traseiras da famosa catedral, a Casa das Crechas, que passava constantemente a música de Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, José Mário Branco, Sérgio Godinho, Francisco Fanhais, Luís Cília, Fausto, Vitorino e por aí fora, mas Zeca Afonso sempre! Porque na Galiza pensa-se e sente-se que o 25 de Abril também lhes pertence. E fazem os galegos muito bem!

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. "Grândola, Vila Morena" faz hoje anos. Viva!)

Deixo amigos por estraños, deixo a veiga polo mar

Foto Tarrenego!

sábado, 9 de maio de 2026

A passarada fafense

O Facebook da Câmara de Fafe tentou colmatar a habitual falta de "notícias" da silly season com a publicação de uma série de verbetes a respeito de pássaros. Isso, elencando, uma a uma, as, assim apresentadas, "espécies autóctones de Fafe", assunto tão a propósito agora para as nossas Feiras Francas. Foi no ano passado, evidentemente pelo Verão. Uma iniciativa muito bonita, leve e arejada, tirando o facto de, na verdade, não existirem "espécies autóctones de Fafe". Nem o passarinho dom-fafe, que tem um nome assim aparentemente tão nosso, é daqui natural. Há aves que, como dizem os especialistas, ocorrem em Fafe, isto é, podem ser vistas em Fafe, mas são de todo o lado, ou de quase todo o lado, não foram inventadas em Fafe, não nasceram em Fafe pela primeira vez, logo a seguir aos dinossauros ou, pelo menos, no tempo dos romanos, para depois se espalharem pelos quatro cantos do mundo, como os nossos emigrantes. E é isso o que "autóctone" quer dizer...
Haverá em Fafe, quando muito, espécies de aves autóctones de Portugal, que são poucas, sobressaindo evidentemente as galinhas: a galinha amarela ou galinha minhota, a galinha branca, a galinha pedrês portuguesa, a galinha preta lusitânica e o peru preto português ou peru preto alentejano. Mas pronto.
Se tomei devida nota, o Município fafense chamou a si a andorinha-das-chaminés, o tartaranhão-caçador, o corvo-marinho-de-faces-brancas, o papa-figos, o tartaranhão-azulado, a garça-real e o cuco-canoro. E eu fiquei, sentado, à espera do resto. Dos melros, dos pombos, das rolas, das pegas, das poupas, das fuinhas, dos bufos, das escrevedeiras, dos maçaricos, dos abutres e, por exemplo, dos papagaios, que realmente abundam em Fafe e também são filhos de Deus.
Entretanto a série parou, sem mais explicações até hoje. Talvez a obra tenha ficado a meio...

P.S. - Hoje é Dia Mundial das Aves Migratórias e as Feiras Francas de Fafe começam na próxima quarta-feira.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Figos de seira baixa

Fruta da época
Era Dezembro. Perguntaram-lhe sobre frutas da época, e ela respondeu ferrero rocher e mon chéri.

Consta que existem no mundo mais de 750 tipos de figos, entre os quais os nossos muito apreciados preto de Torres Novas, lampa preta, pingo de mel ou roxo de Valinhos, por exemplo. Há figos verdes, vermelhos, amarelos, roxos ou pretos. Há figos lampos ou temporãos, os que amadurecem mais cedo, habitualmente entre Maio e Julho, e figos vindimos, que se aprontam mais tarde, entre Agosto e o início do Outono. Há figos frescos e figos secos. E havia figos de seira alta e figos de seira baixa. Pelo menos em Fafe.
A seira é um cesto ou saco de esparto, onde se deita a azeitona depois de moída, para a espremer, ou onde se guardam ou levam pregos, ferramentas ou figos. As seiras com figos, geralmente frescos, eram carregadas à cabeça das antigas vendedeiras para mercados e feiras, ou de rua em rua, com velhos pregões a condizer. E também iam de burro, três ou quatro seiras de cada lado do lombo, julgo ainda ter visto esta cena uma ou duas vezes, à porta dos tascos do Zé Manco e do Paredes, e nestes casos seriam seiras com figos secos. Os figos transportados lá no topo das senhoras e em cima dos jericos eram, para nós, "figos de seira alta". Por outro lado, havia os "figos" que os burros iram largando naturalmente pela retaguarda, excrementados, primeiro frescos, fumegantes, e depois secos, com o tempo, e esses, na nossa terra, naquela época, eram "figos de seira baixa"...

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Internacional do Burro.)

Concerto de Primavera no Teatro-Cinema

Concerto de Primavera, 27.ª edição, no próximo dia 24 de Maio, domingo a oito, pelas 17 horas, no Teatro-Cinema de Fafe. Uma organização com...