sexta-feira, 13 de março de 2026

Um cartaz para as Festas

Quarteto de cordas
Eram um excelente quarteto de cordas: de sisal, de propileno, bamba e estática. As quatro acompanhavam regularmente a corda vocal. Quando assim, eram o Quinteto da Corda.

As Festas, se as chamo assim com maiúscula, só podem ser umas: as da Senhora de Antime, que já foram da vila, depois do concelho, depois da cidade, agora de Fafe, mas isso não interessa para nada, porque elas são é da Senhora de Antime. E cartaz, quando digo cartaz, quero dizer aquele papelão com desenhos ou fotografias, letras e números que anuncia as Festas, só para as situar no tempo, obra de autor, uma marca, um marco, talvez agora se chame qualquer coisa em inglês, mas não faço a mínima ideia. Cartaz, para mim, não é a lista de quem vem cá cantar, quero lá saber. Isso, se calhar, é o programa, mas também me é indiferente - chamai-lhe os nomes que quiserdes.
Ora bem. Fafe é uma terra de artistas, ó se Fafe é terra de artistas, é e não são assim tão poucos, e cada um mais artista que o outro, uma fartura só comparável à ausência de um verdadeiro cartaz para as Festas há não sei quantos anos. Vejo disso em todo o lado, cartazes de categoria, nas grandes romarias, em cidades que se prezam, verdadeiramente cosmopolitas, mas também em festas de caracacá e terras assim-assim, às vezes autênticas obras de arte, material de colecção, e eu, fafense e sem nada para guardar ou mostrar, fico envergonhado, triste e invejoso.
Custará assim tanto à Câmara Municipal abrir um concursozinho para o cartaz das Festas de Fafe? Um concursozinho, digo bem, porque, se a coisa for por encomenda, a gente já sabe quem ganha. Um concursozinho. Dará assim tanto trabalho? Será assim tão caro, tão fora do orçamento?
Olhai para Matosinhos, e o que vedes? As Festas do Senhor de Matosinhos, que têm sempre o seu cartaz. O Município até manda fazer livros magníficos com eles, com os cartazes antigos e artísticos. O cartaz do ano passado era da autoria do escritor Valter Hugo Mãe, que o fez de borla, ofereceu-o e pronto.
Olhai para Ponte de Lima, e o que vedes? Todos os anos é lançado concurso para a criação do cartaz oficial das Feiras Novas. Já são conhecidas as dez propostas finalistas para a edição deste ano e a escolha do cartaz vencedor será feita, pela primeira vez, por votação via SMS, aberta a todos os limianos maiores de idade.
Olhai para Fafe, e o que vedes?

(Do meu blogue Mistérios de Fafe)

quinta-feira, 12 de março de 2026

Concerto na Igreja Matriz


Música coral na Igreja Matriz de Fafe, no próximo domingo, dia 15 de Março, a partir das 15h30. Concerto comemorativo dos 75 anos do boletim paroquial Igreja Nova, a cargo do Coro de Câmara Patris Corde, dirigido pela maestrina Verónica Costa. Mais informação, aqui.

quarta-feira, 11 de março de 2026

Aldrabons e aldramaus

Mal agradecidos
O homem-estátua foi despedido. Por falta de produtividade. Logo ele que tinha sido contratado para não mexer uma palha.

Por que razão medram tanto os aldrabões em Portugal? Por que razão vamos a votos e mandamos para o poleiro os aldrabões, de variada cor, como se por acaso acreditássemos neles, regra geral? Os aldrabões que antes e/ou depois estão nos bancos, nas edepês, nas caixas, nas renes, nas cepês, nas referes, nas misericórdias, nos metros, nos centímetros, nas construtoras, nas destrutoras, nos superescritórios de advogados, nos supermercados de escravos, nas fundações, nas afundações, nas jotas, nas motas, nas assessorias, nas tias, nas televisões e nos jornais, no parlamento, no barlavento e no sotavento, e têm do povo uma vaga ideia. Por que razão, se nos queixamos tanto deles?
Andava com esta dúvida fisgada nem sei há que tempos, mas no outro dia tive a inesperada revelação, quase sem querer, ao ouvir um minhoto retinto a falar. Um minhoto de Fafe, evidentemente, dos nossos. O homem antigo falava de não sei quem e chamava-lhe aldrabom. Isso, aldrabom. Os minhotos de cá de baixo agarramo-nos ao pouco que já nos resta do galego purinho e falamos assim, trocamos o excêntrico ão pelo ancestral om, daí a confusom, e se calhar acreditamo-nos: ora aí está um aldra que é bom, pensamos na melhor das nossas intenções e caímos na esparrela. Porque "eles" não são aldrabons. São aldramaus.

P.S. - Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia da Desmistificação. Acerca da invenção do ditongo ão, imposto à modernidade pelo eixo Lisboa-Coimbra, recomendo a leitura de "Assim Nasceu Uma Língua", de Fernando Venâncio, Capítulo 6 - Ão, uma espécie invasiva.

segunda-feira, 9 de março de 2026

Valter Lobo no Teatro-Cinema


Valter Lobo apresenta-se no Teatro-Cinema de Fafe, no próximo dia 21 de Março, pelas 21h30. Já nesta sexta-feira, dia 13, também pelas 21h30, será Samuel Úria a subir ao palco. Mais informação, aqui.

domingo, 8 de março de 2026

Halterofilando

Foto Hernâni Von Doellinger

Crónica Feminina

A actriz
Ficou famosa por ser a primeira mulher a fazer de Super-Homem.

Vieram as calças, e ela nada. Os movimentos libertários, o divórcio, o voto, a canasta, os empregos, os carros, os cigarros, as gravatas, os cafés, os sapatos de salto baixo e os sapatões também vieram, e ela nada. Em casa, sempre em casa, de uma virgindade absoluta em relação ao amantíssimo esposo e demais, bordava, falava francês e tocava piano. Ouvia os discos pedidos e lia Corín Tellado. E dava alpista ao canário. E regava os vasinhos, ela própria uma flor de estufa, no larguinho da vila antiga. E compunha almofadinhas e peluches e corações por sobre o delicado leito conjugal. Muito cor-de-rosa, muita renda na roupa interior que só ela sabia, muito tafetá, muitos lacinhos e sabonetinhos. Tanto pó de talco e perfume! Tão mulherzinha! Queimou uma vez um sutiã, é verdade, mas foi sem querer, passando a ferro, quando a serviçal lhe faltou. Tirando isso, nada. Parecia doença. Crónica. As vizinhas, que nem lhe conheciam o nome, chamavam-lhe, por graça, Crónica Feminina.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia da Mulher.)

Um longo caminho

Foto Hernâni Von Doellinger

Um cartaz para as Festas

Quarteto de cordas Eram um excelente quarteto de cordas: de sisal, de propileno, bamba e estática. As quatro acompanhavam regularmente a cor...