| Foto Hernâni Von Doellinger |
Mostrar mensagens com a etiqueta mulheres. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta mulheres. Mostrar todas as mensagens
domingo, 8 de março de 2026
Crónica Feminina
A actriz
Ficou famosa por ser a primeira mulher a fazer de Super-Homem.
Vieram as calças, e ela nada. Os movimentos libertários, o divórcio, o voto, a canasta, os empregos, os carros, os cigarros, as gravatas, os cafés, os sapatos de salto baixo e os sapatões também vieram, e ela nada. Em casa, sempre em casa, de uma virgindade absoluta em relação ao amantíssimo esposo e demais, bordava, falava francês e tocava piano. Ouvia os discos pedidos e lia Corín Tellado. E dava alpista ao canário. E regava os vasinhos, ela própria uma flor de estufa, no larguinho da vila antiga. E compunha almofadinhas e peluches e corações por sobre o delicado leito conjugal. Muito cor-de-rosa, muita renda na roupa interior que só ela sabia, muito tafetá, muitos lacinhos e sabonetinhos. Tanto pó de talco e perfume! Tão mulherzinha! Queimou uma vez um sutiã, é verdade, mas foi sem querer, passando a ferro, quando a serviçal lhe faltou. Tirando isso, nada. Parecia doença. Crónica. As vizinhas, que nem lhe conheciam o nome, chamavam-lhe, por graça, Crónica Feminina.
(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia da Mulher.)
domingo, 8 de fevereiro de 2026
Foi comprar cigarros e não voltou
Era uma esposa exemplar, uma esposa à moda antiga. Em apenas duas palavras imediatamente seguidas de ponto de admiração: uma esposa! Ou em cinco palavras imediatamente seguidas de três pontos de admiração: uma mulher como deve ser!!! Todos os dias de manhã ela ia comprar tabaco para o marido. Um dia ela foi e não voltou.
P.S. - Hoje é Dia Mundial do Casamento.
Etiquetas:
casamento,
cigarros,
Dia da Dona de Casa,
Dia da Mulher,
Dia Mundial do Casamento,
divórcio,
esposa,
mulheres,
separação,
tabaco
sábado, 8 de março de 2025
Dona de casa, dona de quê?
Vieram as calças, e ela nada. Os movimentos libertários, o divórcio, o voto, a canasta, os empregos, os carros, os cigarros, as gravatas, os sapatos de salto baixo e os sapatões também vieram, e ela nada. Em casa, sempre em casa, de uma virgindade absoluta em relação ao amantíssimo esposo e demais, bordava, falava francês e tocava piano. Ouvia os discos pedidos e lia Corín Tellado. E dava alpista ao canário. E regava os vasinhos, ela própria uma flor de estufa, no larguinho da vila antiga. E compunha almofadinhas e peluches e corações por sobre o delicado leito conjugal. Muito cor-de-rosa, muita renda na roupa interior que só ela sabia, muito tafetá, muitos lacinhos e sabonetinhos. Tanto pó de talco e perfume! Queimou uma vez um sutiã, é verdade, mas foi sem querer, passando a ferro, quando a serviçal lhe faltou. Tirando isso, nada. Parecia doença. Crónica. As vizinhas, que nem lhe conheciam o nome, chamavam-lhe, por graça, Crónica Feminina.
P.S. - Hoje é Dia da Mulher.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2025
Comida, carros, gajas e... motorizadas
Nós, os do Norte, somos regularmente criticados por estarmos sempre a falar de comida. O que não é exacto nem justo! Na verdade, nós, os do Norte, somos tão capazes de manter conversas interessantes e profundas sobre gajas e carros como o resto da população portuguesa, seja de que região for. Para além disso, se formos de Fafe, ninguém nos bate numa boa discussão sobre motorizadas...
P.S. - No dia 29 de Janeiro de 1886, o engenheiro alemão Karl Benz pôs em funcionamento o primeiro motor automóvel a gasolina.
P.S. - No dia 29 de Janeiro de 1886, o engenheiro alemão Karl Benz pôs em funcionamento o primeiro motor automóvel a gasolina.
Etiquetas:
alimentação,
carros,
comida,
gastronomia,
Karl Benz,
Mercedes,
motociclismo,
motores,
motorizadas,
mulheres,
série Memórias de Fafe,
speedway
sexta-feira, 20 de setembro de 2024
O lugar da mulher
Lá vão ligeiros, marido e mulher conversando pela rua, ele à frente e ela um passo atrás, coisa de antigos. Têm uma filha. Casou. Lá vai ela jovem e ligeira conversando pela rua com o marido a estrear, ela atrás, o homem um passo adiante, porque o respeito é muito bonito. Na minha rua, meus vizinhos, palavra de honra, em pleno século XXI.
quinta-feira, 30 de maio de 2024
Os cónegos dividem-se em três partes
Há coisa de quarenta, cinquenta anos, os cónegos não eram uma classe respeitada por aí além, mesmo ou principalmente no interior da Igreja. Naquele tempo, cónegos eram anedotas contadas por padres que não eram cónegos. Inveja? Sei lá eu. Parece que o tique vinha de trás e atiravam a culpa ao Eça. Ao de Queirós.
Os cónegos que então conheci, porque andei lá no meio deles, afiguravam-se-me criaturas patuscas, isso é certo. Geralmente baixinhos, barrigudos e corados, sebentos às vezes, os cónegos eram uns cromos, caricaturas deles próprios. Também não sei se ficaram assim depois e por causa de terem ido para cónegos ou se aqueles é que eram os requisitos necessários e critérios de selecção para o canonicato.
Uma vez, um padre recém-ordenado, mestre e amigo, ensinou-me que a classe dos cónegos se dividia em três categorias: "os cónegos de merda, a merda de cónegos e os cónegos a sério" - que seriam os da sé propriamente dita, eventualmente os cónegos com cargo no cabido. O meu mestre e amigo suponho que actualmente é cónego, mas não sei de que categoria. Tenho também ex-colegas de seminário que são cónegos, e estimo-lhes as melhoras.
P.S. - Foi há trinta anos. No dia 30 de Maio de 1994, o papa João Paulo II declarou um "não irrevogável e definitivo" à ordenação sacerdotal de mulheres. E é pena. As cónegas também haviam de ter piada.
Os cónegos que então conheci, porque andei lá no meio deles, afiguravam-se-me criaturas patuscas, isso é certo. Geralmente baixinhos, barrigudos e corados, sebentos às vezes, os cónegos eram uns cromos, caricaturas deles próprios. Também não sei se ficaram assim depois e por causa de terem ido para cónegos ou se aqueles é que eram os requisitos necessários e critérios de selecção para o canonicato.
Uma vez, um padre recém-ordenado, mestre e amigo, ensinou-me que a classe dos cónegos se dividia em três categorias: "os cónegos de merda, a merda de cónegos e os cónegos a sério" - que seriam os da sé propriamente dita, eventualmente os cónegos com cargo no cabido. O meu mestre e amigo suponho que actualmente é cónego, mas não sei de que categoria. Tenho também ex-colegas de seminário que são cónegos, e estimo-lhes as melhoras.
Como funciona agora com os cónegos, confesso que desconheço. Mas acredito nisto: quarenta, cinquenta anos não dão para nada na Igreja instituição, não dão sequer para meter a chave à porta - quanto mais para puxar o autoclismo.
Etiquetas:
cónegos,
Eça de Queirós,
mulheres,
padres,
sacerdócio,
sacerdotes,
série Histórias de cónegos,
série Memórias de Fafe,
série Os melhores anos da minha vida
sexta-feira, 8 de março de 2024
A mulher, o bronco e as piriscas
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Era assim. Mas há uns meses que o vejo solitário pelas esquinas, desamparado, perdido, praguejante. A franzina senhora desapareceu de cena. De tão sumária e submissa que me parecia, temo, sinceramente temo, que lhe tenha acontecido o pior: que tenha resolvido morrer devagarinho, sozinha e longe, só para não incomodar. O bronco continua por aí, agora desaparelhado e sempre bandalho, sem escrava nem saco de pancada pelo braço, enfim obrigado a vergar a mola se quer matar o vício. O Governo criminalizou as piriscas, a ciência inventou os cigarros electrónicos e a pandemia desbastou cafés, tascos e restaurantes, no chão da porta dos quais ele costumava abastecer-se e rir-se das imbecilidades do Governo e da ciência. Risinhos à parte, que o gajo é tolo, a vida corre-lhe de mal a pior. E é o que eu lhe estimo.
O filhodaputa continua, portanto, às piriscas, no outro dia sem mais nem menos malcriou com a minha mulher, que não lhe liga mas tem medo dele, mais cedo ou mais tarde vou ter de lhe foder o focinho, ao porco, quero dizer, e já não tenho idade para isso. O indivíduo continua às piriscas, que fuma acto contínuo, mas, actualizado com os tempos do apocalipse, às vezes anda de máscara. A máscara padece de evidentes sinais de que foi sacada ao lixo. Mas de máscara, o burgesso. É outra limpeza, outra segurança. E podia ser em Fafe.
quarta-feira, 27 de dezembro de 2023
Já não há mulheres com bigode
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Cuidado. Antes de me soltarem os cães, façam o favor de perceber que eu não disse que as mulheres limianas são bigodadas e feias. Não. O que eu digo é que, sobretudo aos fins-de-semana e feriados, elas, as bigodadas e feias, concentram-se todas ali, à beira-Lima, como se fosse um congresso de camafeus ou um concurso de feieza. Numa dessas ocasiões, eu próprio fui confundido com a cantadeira de um rancho folclórico derivado às minhas barbas. De resto, não sei de onde elas vêm, as mulheres abigodadas, nunca perguntei.
Vou a Ponte de Lima desde pequenino, desde o tempo das excursões ao Alto Minho organizadas pelo meu avô da Bomba, sobrevivente dos sete ofícios. Aqui atrasado tornei lá todo contente e tive um desgosto muito grande. A vila mais antiga de Portugal, Ponte de Lima monumental e histórica, bela, tradicional, está mais pobre. As mulheres continuam particularmente feias, honra lhes seja, mas deitaram abaixo os bigodes. Sentei-me no banco do costume, junto à vendedeira de castanhas, queimei os dedos a comê-las, mas bigodes de mulheres, que era ao que eu ia, nem um para amostra. É lamentável. Os cremes depilatórios estão a dar cabo do nosso património.
Não sei se volto a Ponte de Lima. Ainda por cima, o arroz de sarrabulho também não estava grande coisa. Mas as castanhas eram bem boas.
P.S. - Este texto, publicado originalmente no dia 2 de Setembro, assinalando o Dia Mundial da Barba, foi o quinto mais lido no Fafismos durante o ano de 2023.
Etiquetas:
arroz de sarrabulho,
barba,
bigode,
castanhas,
Dia Mundial da Barba,
excursões,
mulheres,
Ponte de Lima,
ranking 2023,
série Memórias de Fafe,
série O meu avô da Bomba
sábado, 2 de setembro de 2023
Já não há mulheres com bigode
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Cuidado. Antes de me soltarem os cães, façam o favor de perceber que eu não disse que as mulheres limianas são bigodadas e feias. Não. O que eu digo é que, sobretudo aos fins-de-semana e feriados, elas, as bigodadas e feias, concentram-se todas ali, à beira-Lima, como se fosse um congresso de camafeus ou um concurso de feieza. Numa dessas ocasiões, eu próprio fui confundido com a cantadeira de um rancho folclórico derivado às minhas barbas. De resto, não sei de onde elas vêm, as mulheres abigodadas, nunca perguntei.
Vou a Ponte de Lima desde pequenino, desde o tempo das excursões ao Alto Minho organizadas pelo meu avô da Bomba, sobrevivente dos sete ofícios. Aqui atrasado tornei lá todo contente e tive um desgosto muito grande. A vila mais antiga de Portugal, Ponte de Lima monumental e histórica, bela, tradicional, está mais pobre. As mulheres continuam particularmente feias, honra lhes seja, mas deitaram abaixo os bigodes. Sentei-me no banco do costume, junto à vendedeira de castanhas, queimei os dedos a comê-las, mas bigodes de mulheres, que era ao que eu ia, nem um para amostra. É lamentável. Os cremes depilatórios estão a dar cabo do nosso património.
Não sei se volto a Ponte de Lima. Ainda por cima, o arroz de sarrabulho também não estava grande coisa. Mas as castanhas eram bem boas.
P.S. - Hoje é Dia Mundial da Barba.
Etiquetas:
arroz de sarrabulho,
barba,
bigode,
castanhas,
Dia Mundial da Barba,
excursões,
mulheres,
Ponte de Lima,
série Memórias de Fafe,
série O meu avô da Bomba
Um bigode em forma de talvez
Tinha um belo bigode. Elegante, ralo, fino, um bigodinho talvez à Errol Flynn. Nada de assombroso realmente, mas para mulher não estava mal...
sábado, 15 de julho de 2023
segunda-feira, 24 de outubro de 2022
Pernas até ao cu
Fala-se de mulheres king-size - mulherões, avionas, tranconas - e diz-se que elas têm pernas até ao cu. Pelo menos na minha terra dizia-se. Como se as mulheres eventualmente mais manejáveis - perrotas, batoques, torneirinhas como a faneca - tivessem pernas apenas até ao tornozelo. Sucedeu-me agora mesmo este clarividente pensamento porque: no dia 24 de Outubro de 1939, faz hoje anos, foram colocados à venda os primeiros lotes de meias de náilon.
sábado, 15 de outubro de 2022
Na aldeia do Senhor Costa
| Foto Hernâni Von Doellinger |
Quer-se dizer: cava fundo em Novembro, para plantar em Janeiro, como recomenda, por seu lado, O Seringador.
E pronto. É este tempo, senhores. O tempo, nabos e tomates, e mais mada. Ou, como dizia o outro na rádio a preto-e-branco: na aldeia do Senhor Costa, assim vai a agricultura. E não falava certamente do Costa do Assento...
P.S. - Hoje é Dia Internacional da Mulher Rural.
Etiquetas:
agricultura,
Borda D'Água,
Costa do Assento,
Dia Internacional da Mulher Rural,
lavradeiras,
mulheres,
O Seringador,
rádio,
série Fafenses excelentíssimos,
série Memórias de Fafe
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Candidaturas ao Prémio A. Lopes de Oliveira
Decorre o período para concurso ao Prémio Literário A. Lopes de Oliveira / Câmara Municipal de Fafe, destinado a distinguir estudos históric...
-
Os ausentes Sim, ele gostava muito de presentes. Mas os ausentes falam-lhe mais ao coração... Peita. Dádiva ou promessa com o fim de suborna...
-
E o número da máquina fotográfica? - Passei o dia inteiro a ligar-lhe para o telemóvel, mas dava sempre impedido... - Quando for assim, ligu...
-
Todos os meses de Julho de todos os anos, o aviso lá estava bem visível à porta de entrada, para orientação de pessoal, clientes e público e...