Mostrar mensagens com a etiqueta eleições. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta eleições. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

O passeio do idoso

O autocarro de aluguer levava à frente, à mão direita do motorista, uma tabuleta que dizia "Passeio do Idoso". Convenhamos: a tabuleta é necessária, porque uma câmara municipal ou uma junta de freguesia não se podem dar ao luxo de organizar um "Passeio do Idoso" e o mundo ficar sem saber que a câmara municipal ou a junta de freguesia organizaram um "Passeio do Idoso". Portanto, a tabuleta anunciava "Passeio do Idoso". Olhei com atenção para o interior do autocarro de 56 lugares, e lá no meio ia realmente um velhinho, só um, o resto eram bancos vazios. A tabuleta estava certa - era, com efeito, o passeio do idoso.

segunda-feira, 3 de março de 2025

A equipa de Marques Mendes

Gonçalo Matias, Isabel Jonet, Silva Peneda e António Fontainhas Fernandes juntam-se a Poiares Maduro na equipa que vai coordenar os "estados gerais" da candidatura de Luís Marques Mendes à Presidência da República. A notícia é avançada pelo Expresso.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Poiares Maduro com Marques Mendes

Miguel Poiares Maduro, ex-ministro de Pedro Passos Coelho, vai coordenar os "estados gerais" da candidatura de Luís Marques Mendes à Presidência da República. A notícia foi hoje avançada pela RTP.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Marques Mendes lança "estados gerais"

Foto Paulo Pimenta / Público

Luís Marques Mendes vai organizar "estados gerais" sobre doze das grandes causas que o levam a candidatar-se à Presidência da República. Os eventos, a decorrer entre Março e Julho, sob o título "Causas da Presidência", serão abertos à sociedade civil. De acordo com o jornal Público, entre os temas em destaque estão a pobreza e exclusão, economia, justiça e combate à corrupção, imigração e natalidade, combate à violência doméstica, habitação, futuro do Serviço Nacional de Saúde, ambiente e sustentabilidade, coesão territorial, segurança e defesa, desafios do mar e educação e cultura.

domingo, 16 de fevereiro de 2025

Apoios a Marques Mendes


Luís Marques Mendes revelou ontem uma lista de seis "personalidades independentes" que apoiam a sua candidatura à Presidência da República. O destaque vai para José Gomes Mendes, ex-secretário de Estado do Governo de António Costa, e para a escritora Alice Vieira, que já foi comunista. Da lista constam também os nomes da actriz Rita Salema, de Maria do Céu Machado, ex-presidente do Infarmed e professora catedrática de Medicina, do advogado Alfredo Castanheira Neves, vogal do Conselho Superior de Magistratura, e de João Perestrello, presidente da SEDES Jovem e filho do deputado socialista Marcos Perestrello.
Duarte Marques será o director de campanha de Marques Mendes. José Nunes Liberato, que foi chefe da Casa Civil de Cavaco Silva em Belém e secretário-geral do PSD, será o mandatário financeiro.

sábado, 8 de fevereiro de 2025

Marques Mendes, obviamente!

Foto Notícias de Fafe

Como é que pode fazer confusão a alguém que Antero Barbosa, presidente da Câmara de Fafe, tenha declarado pública e oficialmente o seu apoio à candidatura de Luís Marques Mendes à Presidência da República? Mas, então, um fafense ilustre, com provas dadas e conhecidas, com um currículo político invejável, avança para Belém como candidato sério, credível, com reais possibilidades, e o presidente da Câmara de Fafe - de Fafe, repito - vai apoiar quem? O senhor de Nevogilde? O Tozé de Penamacor? O Vitorino dos cifrões? Homessa! Por que carga de água? Por causa da partidarite? Ó valha-me Deus, trata-se da eleição para presidente da República! E, para além disso, como toda a gente sabe, o voto é secreto...

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Marques Mendes arranca em Fafe


Luís Marques Mendes apresenta hoje, em Fafe, a sua candidatura a Presidente da República. A sessão está marcada para as 18 horas, no lar da Santa Casa da Misericórdia. O presidenta da Câmara Municipal de Fafe, Antero Barbosa, fará a intervenção de saudação ao candidato.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

O mais baixo magistrado da nação

De acordo com a constituição, o mais alto magistrado da nação deve medir para cima de 1,73 m, considerada a altura média dos portugueses homens. Se o mais alto magistrado da nação for por acaso uma mais alta magistrada da nação, então basta medir para cima de 1,62 m, considerada a altura média das portuguesas mulheres. Luís Marques Mendes, que é homem do sexo masculino, mede 1,61 m calçado e, toda a gente sabe, aspira à presidência da república. António Vitorino, que também é homem do sexo masculino, medirá, talvez de palmilhas, mais um centímetro do que Mendes, isto é, 1,62 m, e algum PS aspira a que ele aspire à presidência da república. Eu gostava de ver esta prometedora luta de titãs na campanha para as presidenciais de 2026, que, aliás, já começou. Dir-me-ão, se calhar, que, nas actuais circunstâncias, nem o Luís nem o António obedecem às normas. É fácil de resolver. Faça-se, a este propósito, uma revisão constitucional. Uma revisão da constituição portuguesa. Nada de profundo ou trabalhoso, nada que implique ginásio ou possa dar ideias aos neofascistas mais ou menos hemiciclistas. Apenas um acerto, um ajuste directo, uma revisão constitucional por medida, por baixo. Uma revisãozinha, vá lá. Coisa talvez de doze ou treze centímetros...

Napoleão que era Napoleão media pouco mais de metro e meio, segundo os ingleses, ou um metro e setenta, para os franceses. Sem cunhas, saltos altos, sapatos de plataforma ou outras alcavalas, Silvio Berlusconi media 1,65 m, Dmitry Medvedev mede 1,57 m, Putin mede 1,67 m, Kim Jong-il não se sabe bem, mas medirá entre 1,55 m e 1,65 m, sendo possível que na versão oficial meça dois metros e quarenta, e Nicolas Sarkozy mede 1,65 m, rodeando-se sempre de anões, para parecer alto, isto para além de fazer batota com o calçado.

Alto é o almirante. Alto e para o baile. Mas, pelo menos pela parte que me toca, faria muito gosto que não fosse esse, a altura, o argumento de Gouveia e Melo para concorrer e eventualmente ganhar as eleições a Belém, agora que já conseguiu sacudir-se da Maçonaria. Ou então que se meta com alguém do seu tamanho...
Eu creio que entre nós, portugueses, o conceito de mais alto magistrado está desnecessariamente sobrevalorizado e tende até a promover uma mal disfarçada discriminação. Os tempos são outros, povo meu! Porque não aproveitarmos as próximas presidenciais para elegermos, pelo contrário, o mais baixo magistrado da nação?

P.S. - Publicado originalmente no meu blogue Tarrenego! O nosso Luisinho despede-se domingo do comentário na SIC. E apresenta na próxima quinta-feira, em Fafe, a sua candidatura à Presidência da República. Fica-lhe bem.

terça-feira, 9 de julho de 2024

O trabalhista fafense

Sei de um fafense antigo que, se fosse vivo, andaria agora por aí todo contente a festejar de porta em porta a vitória dos Trabalhistas ingleses. O famoso Castro Mendes de Travassós, o Velhinho, figura incontornável e carismática do antes e após 25 de Abril, desses intensos, gloriosos e dramáticos dias fafenses, era o nosso "trabalhista" de estimação e gritava "ganhámos!", "ganhámos!" sempre que o Labour vencia as eleições ou formava governo no Reino Unido.
O nosso herói era "trabalhista" porque, sendo salazarista, era trabalhador e pelos trabalhadores, isto é, pelo corporativismo fascista, o raciocínio pode parecer demasiado elaborado ou, por outro lado, simplista em excesso, mas não é, nem uma coisa nem outra. Vejamos: Trabalhistas portanto trabalhadores, viva Salazar!, e não era preciso ir mais longe.
A evangélica frase, na hora dos festejos, "Ide por esses tascos abaixo, comei, bebei e... pagai!" é historicamente atribuída a este extraordinário Castro Mendes, que eu ainda contactei no Liceu de Braga, onde ele era funcionário, se não estou em erro, e aliás acamaradei no seminário com um dos seus filhos.
O Velhinho era um figurão. Irredutível nas suas convicções, fiel aos seus inegociáveis princípios, toda a vida foi da situação, fosse qual fosse a situação. Ganhasse quem ganhasse, ele ganhava sempre, estava sempre ao lado dos vencedores. Era, a esse propósito, um intrépido praticante de varandismo e inflamado mandador de Vivas! Já no tempo da democracia, cheguei a vê-lo actuar na varanda do PS, em Fafe. Para além disso, sabia muito bem o que fazia e porquê, tinha um enorme sentido de humor e eu achava-lhe um piadão.
O varandista Castro Mendes era irmão do professor António Castro Mendes, considerado uma das maiores autoridades nacionais no ensino do Português, Latim, Grego ou Aramaico. Eram muito parecidos fisicamente, na marotice e até na tessitura vocal, abrangente, metálica, megafónica. Antigo padre e pregador afamado, o Dr. Castro Mendes foi meu mestre e amigo no Liceu de Guimarães. Falava, cheio de orgulho, do seu "melhor aluno de sempre", que não era eu, obviamente, eu era uma nódoa a Latim, mas um "rapazinho" também de Fafe chamado Luís Marques Mendes e a quem o experimentado professor, há quase 50 anos, augurava um grande futuro, apontando-o aos lugares mais altos da Nação. E estava certo.

quinta-feira, 6 de junho de 2024

Faroleiros no Parlamento Europeu

Acabo de saber, pelo jornal O Minho, que estão abertas 24 vagas para o lugar de faroleiro, no continente, Açores e Madeira. Faroleiro. Palavra de honra, eu pensava que as eleições de domingo é que eram para isso, para o lugar de faroleiro, e que havia apenas 21 vagas. Faroleiro, isto é, fala-barato, charlatão, desbocado, tagarela, palrador, parlapatão, jactancioso, vaidoso, embusteiro, impostor, mentiroso, fanfarrão, gabarola, paparrotão, patarata, pantomineiro, imodesto, pretensioso, ufano, bazofiador, pimpão, ufanoso e assim sucessivamente. Isso, faroleiro, no Parlamento Europeu.

(Publicado originalmente no meu blogue Tarrenego!)

quarta-feira, 5 de junho de 2024

Nós, os imigrantes

O meu pai foi emigrante, e nós - a minha mãe, os meus irmãos e eu - fomos quase emigrantes, só não abalámos porque entretanto o meu pai morreu de véspera, na emigração. Tive e tenho tios e tias e primos e primas emigrantes. Tenho sobrinhos emigrantes. Somos uma família de emigrantes, como Portugal é um país de emigrantes, estabelecidos pelos quatro cantos do mundo. Fafe é uma terra de emigrantes. Incomoda-me visceralmente o ódio e a estupidez que por aí medram contra os emigrantes como nós mas que vêm de fora, isto é, os imigrantes, como eram imigrantes os meus antepassados alemães e depois brasileiros, como são imigrantes todos os nossos emigrantes nos países onde trabalham. Mete-me nojo. E portanto, o seguinte, ó fascistas de carregar pela boca: "nem mais um", como vos mandam dizer e dizeis, a puta que vos pariu!

(Publicado originalmente no meu blogue Tarrenego!)

terça-feira, 26 de março de 2024

As deputadas de Fafe em Lisboa

Pois lá tomaram posse as nossas duas deputadas. Duas fafenses na Assembleia da República, pelo menos para já: Vanessa Barata, do Chega, em estreia absoluta, e a social-democrata Clara Marques Mendes, de quem se diz que pode sair para ministra, pelo menos secretária de Estado, digo eu. Só foi peninha o despedimento de Pompeu Martins, que ia outra vez escondido nas listas do PS, e digo peninha não porque me tenha constado que ele fez alguma coisa digna de registo enquanto lá esteve, antes pelo contrário, disso parece que não pode ser acusado, tanto quanto sei, mas porque era assim que se dizia em Fafe antigamente, peninha, acentuando também o "é", pelo menos da boca para fora, e três sempre é melhor do que dois, quer-se dizer, do que duas, para além de que sou um profundo defensor da igualdade de género, e um homem, mesmo que só um para amostra, creio que compunha melhor o ramalhete...

sexta-feira, 8 de março de 2024

Enquanto o pau vai e vem, descansa o lombo

Não sei se sabem, a comida oficial da política em Portugal (in rima veritas) é o lombo de porco assado, que por acaso é quase sempre apenas estufado, e uma merda. Canja, lombo e musse de chocolate. Assim. Se calhar até em Fafe, terra da melhor vitela assada do mundo. Quem já passou por campanhas eleitorais e comeu todos os dias lombo, ao almoço e ao jantar, sabe muito bem do que é que eu estou a falar (mais uma vez, e peço desculpa, mas a verdade é que sou de verso fácil, pareço o Montenegro, in rima veritas). Depois, quando alcançam o poleiro ansiado e o povo é que paga, os políticos esquecem-se do porco, tão em conta, tão prato do dia, e servem-se entre eles peixinho da alta à lá qualquer coisa, nanja sardinha, faneca ou carapau de pé-descalço.
Olhem por exemplo o Professor Marcelo. Também já comi lombo de porco com ele, diga-se em abono da verdade, mas logo que pulou para Presidente a coisa passou a fiar mais fino. Só outra vez por exemplo: no almoço cerimonial da tomada de posse, foi creme de espargos, robalo a vapor e gelado; e no almoço comemorativo dos 40 anos da Constituição, em 2016, a ementa versava creme de couve-flor, tranches de garoupa e pudim de Estremoz. Também um desconsolo, realmente, mas de alto gabarito.

terça-feira, 5 de março de 2024

E os carteiristas aqui tão perto

Sob o indubitável título "Cuidado com as carteiras!", eu escrevi aqui, no passado dia 28 de Fevereiro:

"Os carteiristas. Para quem não saiba, passo a informar e é de graça: os carteiristas são presença habitual, diria até obrigatória, nas campanhas eleitorais. Fazem parte. Sim, os carteiristas! Sorrateiros como uma corrente de ar, rápidos como um piscar de olhos, trabalham aos pares, às vezes em trio, organizados, distribuindo tarefas, exponenciando sinergias, intercomunicando-se via telemóvel, tomando conta das costas uns dos outros, de bandeira ao ombro e autocolante na lapela, fazendo-se passar por militantes ou simpatizantes, acompanhando as caravanas em todas as paragens e aproveitando-se das arruadas mais frequentadas, as passagens pelas feiras, como hoje em Fafe, ou comícios de maior aperto para então, como quem não quer a coisa, dar livre curso à insustentável arte do gesto leve. Sim senhor, os carteiristas! Como se já não bastassem os políticos propriamente ditos..."

Alguém ligou ao que eu escrevi? Ninguém. Resultado: Pedro Nuno Santos e o PS que o segue vieram no domingo a Guimarães, aqui ao lado, e, conta o JN, "a arruada pelas ruas estreitas do Centro Histórico ficou marcada pelo furto de várias carteiras a elementos da caravana socialista". Uma das vítimas - e esta parte, desculpem, mas até tem piada - foi o presidente da Câmara de Guimarães, Domingos Bragança.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Cuidado com as carteiras!

Os carteiristas. Para quem não saiba, passo a informar e é de graça: os carteiristas são presença habitual, diria até obrigatória, nas campanhas eleitorais. Fazem parte. Sim, os carteiristas! Sorrateiros como uma corrente de ar, rápidos como um piscar de olhos, trabalham aos pares, às vezes em trio, organizados, distribuindo tarefas, exponenciando sinergias, intercomunicando-se via telemóvel, tomando conta das costas uns dos outros, de bandeira ao ombro e autocolante na lapela, fazendo-se passar por militantes ou simpatizantes, acompanhando as caravanas em todas as paragens e aproveitando-se das arruadas mais frequentadas, as passagens pelas feiras, como hoje em Fafe, ou comícios de maior aperto para então, como quem não quer a coisa, dar livre curso à insustentável arte do gesto leve. Sim senhor, os carteiristas! Como se já não bastassem os políticos propriamente ditos...

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Aí para as curvas

Foto Tarrenego!

Uma vez, em 1991, Basílio Horta foi candidato à Presidência da República e fazia frio em Portugal, porque era Janeiro e o tempo naquela altura não era ainda tão tolo e incerto como é agora. O tempo. O Doutor Horta, que já vai nos oitenta e, entre outros afazeres, é um filósofo, quero dizer, um filósofo praticamente como eu, acaba de explicar em entrevista ao Expresso que realmente "há quem olhe para a vida como uma linha reta", mas ele não. "Eu não abdiquei das curvas", enfatizou o ex-União Nacional, fundador do CDS e actual militante do PS, ministro em quatro governos, pela direita, conselheiro de Estado, deputado, embaixador na OCDE, presidente da AICEP, pela esquerda, e agora presidente da Câmara de Sintra, dizia eu, enfatizou, como quem não quer a coisa, como quem oferece o título para a prosa e não se fala mais nisso.
Quanto à fotografia, bem, Basílio Horta lá vai, aqui no meio, por entre bandeiras da AD, da AD verdadeira, mas que já não havia nem o apoiava, e o jornalista a tomar conta, bem à direita, o que não deixa de ser paradoxal e embaraçoso, mãos nos bolsos, estantio, olhar enfastiado e bem agasalhado, porque, é o que eu digo, o tempo naquele tempo ainda era de confiança, e fazia frio em Portugal. Frio à moda de Fafe.
A seguir, se bem me lembro, fui ao Restaurante Maia, no Sameiro, consolar-me com o inevitável bacalhau com natas, que era então uma verdadeira especialidade.

(Publicado originalmente no meu blogue Tarrenego!)

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

O mais alto magistrado da nação

De acordo com a constituição, o mais alto magistrado da nação deve medir para cima de 1,73 m, considerada a altura média dos portugueses homens. Se o mais alto magistrado da nação for por acaso uma mais alta magistrada da nação, então basta medir para cima de 1,62 m, considerada a altura média das portuguesas mulheres. Luís Marques Mendes, que é homem do sexo masculino, mede 1,61 m calçado e, há quem diga e quem me dera, aspira à presidência da república. Nesse caso, eu sou por ele, e só por ele. Aproveitando a maré política, defendo até, a este propósito, uma revisão constitucional por medida. Uma revisãozinha, vá lá. Coisa de doze ou treze centímetros...

E agora a sério. À séria, se improvavelmente lido em Lisboa. O textinho acima, publiquei-o no meu bloque Tarrenego!, no dia 18 de Maio de 2022, sob o título "Revisãozinha constitucional", e republiquei-o aqui no Fafismos, no dia 27 de Novembro de 2022, sob o título "Uma cunha por Luís Marques Mendes". Ora bem. Na sua habitual homilia dominical, na televisão SIC, o ex-presidente do PSD admitiu ontem uma candidatura presidencial "se vir que tem alguma utilidade para o país e um mínimo de condições para se concretizar". Nada mais natural. Luís Marques Mendes há muito que faz o caminho. A presença televisiva, o comentário moderado, a bonomia na crítica, a abrangência de valores, fazem parte. A ida, outro dia, à Festa do Pontal foi mais um passo e a declaração de ontem foram dois. Ontem, tudo muito bem combinado, foi para fazer reserva, para marcar posição. Para mim, grande surpresa será se Luís Marques Mendes não se candidatar a Belém, para suceder a Marcelo, o comentador anterior. Surpresa e desilusão. E também um desperdício. Pelo menos do meu voto, que, então, provavelmente não irá para mais ninguém. Na nossa terra, não vejo quem mais possa ser...

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Atrás de Mário Soares

Uma vez era campanha eleitoral e saí do trabalho, na tripeiríssima Rua de Santa Catarina, para apanhar o autocarro 37 no Largo dos Lóios. E quando cheguei à Avenida dos Aliados, que é a meio caminho, esbarrei num enorme ajuntamento que rodeava e seguia um Carocha de tecto de abrir. Era muito povo, agitando bandeiras e gritando palavras de ordem tão desordenadas que eu não percebia o que as pessoas diziam. Aproximei-me, chamado pela curiosidade ou não sei mais por quê, furei pelo meio daquele fervor todo e consegui chegar ao carro. Quem é que lá estava de cabeça de fora e braço pré-presidencial em aceno à multidão? Mário Soares em pessoa. Era ele!
Eu fiquei a um metro do homem. E deixei-me ficar. O Volkswagen careca andava devagar. E eu deixei-me ir. Mas só percebi depois, muito depois. O cortejo desceu à Praça, subiu a Rua dos Clérigos, passou pelos Leões e pelo Hospital de Santo António, entrou na Rua D. Manuel II e quando dou fé Mário Soares está em frente ao Palácio de Cristal. O esquisito, o inexplicável, é que eu também lá estava. A um metro do homem. Eu fui atrás dele e não sabia.
Foi no ano de 1986 e é a história que eu costumo contar quando quero explicar o que é o carisma. Carisma é aquilo: aquele íman, aquele poder sobre as massas, mesmo sem abrir a boca, aquela força invisível que uns poucos têm de aglutinar e empolgar tudo e todos à sua volta, até a mim, que sou um cínico e já tinha andado atrás de Soares pelo menos outra vez, em Fafe, do Largo para o Grémio da Lavoura e, por falta de espaço para tanta gente, do Grémio novamente para o Largo.

A Vida, que me tem sido tão boa, concedeu-me vinte anos mais tarde, nas Presidenciais de 2006, a prenda extraordinária de poder acompanhar no terreno, profissionalmente, a última verdadeira campanha eleitoral de que Portugal deve ter memória. E com Mário Soares, que se borrifava cada vez mais para os soundbites, para os assessores de imprensa e até para o seu ausente director de campanha, que ele frequentemente não sabia muito bem quem era. Em vez de apelar ao voto, em vez de criticar a concorrência, Soares contava histórias, contava História em pequenos auditórios vagamente frequentados, falava de António Sérgio, de Álvaro Cunhal, de Agostinho da Silva, de Camilo Castelo Branco (lembro-me, em Famalicão), de Antero de Quental. Contava Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Irene Lisboa, José Gomes Ferreira, José Régio, Almada Negreiros, Vitorino Nemésio, Miguel Torga, Carlos Queiroz, Adolfo Casais Monteiro, Manuel da Fonseca, Sophia de Mello Breyner Andresen, Carlos Oliveira, Eugénio de Andrade, Mário Cesariny, Natália Correia, Alexandre O'Neill, David Mourão-Ferreira, Alberto Lacerda, Ruy Belo, amigos ou conhecidos em graus diversos. E eu regalado. O meu jornal, que era o estrambólico 24horas, mandara-me à procura das proverbiais gafes e partes gagas do velho leão, então já com uns bem vividos 82 anos. Eu consolei-me com o resto.

P.S. - Mário Alberto Nobre Lopes Soares nasceu no dia 7 de Dezembro de 1924.

Candidaturas ao Prémio A. Lopes de Oliveira

Decorre o período para concurso ao Prémio Literário A. Lopes de Oliveira / Câmara Municipal de Fafe, destinado a distinguir estudos históric...