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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Às armas, às armas

Foto Tarrenego!

"Às armas, às armas! / Sobre a terra, sobre o mar, / Às armas, às armas! / Pela Pátria lutar! / Contra os canhões marchar, marchar!", aprende-se no Hino Nacional. Assim.

Há anos que ando a chamar a atenção para o disparate, mas ninguém me liga e fazem todos muito bem. Lembraram-se no outro dia e apenas derivado ao Dino D'Santiago, mais vale tarde que nunca e se uma gaivota viesse cada duas são um par. Hoje é Dia Escolar da Não Violência e da Paz. Não sei é se há aulas ou sequer professores, mas de certeza que há navalhadas e talvez gás-pimenta...
Quanto à fotografia, e isso é que é importante, reporta à Guerra Colonial e pertence ao arquivo pessoal do pára-quedista fafense Álvaro Magalhães, meu saudoso cunhado.

P.S. - Hoje é Dia Escolar da Não Violência e da Paz.

A moda ou a modinha

A moda pode ser fatal
Os andarilhos estão na moda. E as bicicletas, para outro tipo de clientela. Os andarilhos, as bicicletas e as trotinetas. As cenas de pancadaria, facadas, tiros e mortes entre jovens bandidos, por nada ou por quase nada, também. Sobretudo facadas. A malta nova anda agora toda por aí com naifas, como quem usa boné ou sapatilhas de marca. É. As televisões de faca e alguidar tratam da propaganda, montam o espectáculo, ensinam como se faz. A moda tem muito que se lhe diga. E pode ser fatal.

Aquele restinho de caldo que se deixava no fundo da malga, a que se juntava broa migada e, amiúde, uma pinga de vinho tinto, e que sabia tão bem no fim da refeição, como se fosse um acrescento de fartura no tempo da fome, era a "moda" ou a "modinha". E se o caldo fosse de nabos, então é que era em cheio. Dicionários e enciclopédias chamam-lhe "moado", substantivo masculino apresentado como regionalismo de origem incerta. Acredito que sim, mas em Fafe não. Em Fafe, era a "moda". Ou "modinha", como melhor se dizia no nosso carinhoso falar antigo.

(Do no meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Escolar da Não Violência e da Paz)

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Um dia para a paz, o resto somos nós

Hoje é Dia Mundial da Paz. E pensou muito bem o papa Paulo VI quando, em 1967, inventou a efeméride, marcando-a logo para o primeiro dia do ano. Assunto resolvido! Os outros 364 dias ficam por nossa conta. E é a merda que se vê...

P.S. - Hoje é Dia Mundial da Paz.

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Vou-te cascar!

À Lagardère
Contava fábulas de La Palice e dizia verdades de La Fontaine. Com ele, era tudo à Lagardère...

Cascar, ou por outra, malhar. Cascar significa descascar ou perder a casca, pode também querer dizer desprezar, descompor, censurar, criticar, mas em Fafe, no Minho de antanho, com ecos galegos na língua, cascar era bater, dar pancadas, dar tareia, ir ao focinho, afinfar, espancar, sovar, surrar, fustigar, açoitar, enchousar, zupar. Isso, zupar. "Vou-te cascar!", prometia-se antigamente. Aliás, o cascudo era, e creio que ainda é, entre outros menos interessantes significados, pancada dada na cabeça com os nós dos dedos, carolo, coque ou croque, como muito bem se dizia na nossa terra.
Malhar significa bater com malho, debulhar nas eiras com o mangual ou com a malhadeira, fazer troça, escarnecer, gozar, mangar, zombar, ridicularizar, falar mal de alguém ou de alguma coisa, cair de repente e desamparado, mas, naquele tempo, para nós, também queria dizer, exactamente como em cascar, dar pancadas, bater, contundir, isto é, dar tareia, ir ao focinho, afinfar, espancar, sovar, surrar, fustigar, açoitar, enchousar, zupar. Isso, zupar. Levar uma malha era apanhar uma coça.

(Publicado no meu blogue Mistérios de Fafe)

domingo, 6 de abril de 2025

O fim do futebol

Já disse. Mais dia menos dia, de uma maneira ou de outra, as claques vão conseguir acabar com o futebol. Para mim, já acabaram. Há anos.

P.S. - Hoje é Dia Internacional do Desporto ao Serviço do Desenvolvimento e da Paz. Parabéns à prima...

quarta-feira, 2 de abril de 2025

A Esquiça com direito a efeméride

Efeméride. Quer dizer: acontecimento ou facto importante que ocorreu em determinada data. Ou por outra: celebração de um acontecimento ou de uma data importante. A agência de notícias Lusa, a maior em língua portuguesa, disponibiliza diariamente no seu serviço uma lista dos "principais acontecimentos registados", desde sempre, no dia em questão, em Portugal e no mundo inteiro. Acontecimentos tipo a descoberta da pólvora, a invenção da roda, o início da I Guerra Mundial, a chegada do homem à Lua, o 25 de Abril ou a queda do Muro de Berlim. Os jornais replicam mais ou menos esta lista, consoante o espaço disponível e a respectiva "orientação editorial", há quem lhe chama assim. 
Ora bem. Andava eu, ontem, à procura das "Efemérides Lusa" para hoje, 2 de Abril, quando, por engano na busca, coisas da idade, dou de caras, no jornal Sol, com as "Efemérides de 2 de Março" de 2021. E para esse dia, no ano de 2017, o Sol aponta, resplandecente: "A taberna do pai de Jorge Ferreira, árbitro que tinha apitado o Estoril-Benfica, foi vandalizada há 4 anos, durante a noite."
Caramba! Fafe nas "Efemérides"! Eu não fazia ideia da importância para a Humanidade da ocorrência em questão, mas talvez mereça. Merece certamente. Não, de caras, no que diz respeito à façanha pífia da claque antiportista Super Dragões, mas, por outro lado, quanto à Esquiça instituição, a taberna do pai do filho, ela, sim, um acontecimento digno de registo, sobretudo derivado às tripinhas e à vitela, que já lá não vou há que tempos, caseiras, honestas e acessíveis, merecedoras realmente de figurarem nos anais da História. E, até à próxima, daqui vai um abraço para o Armindo!

sábado, 1 de março de 2025

À facada, era tiro e queda

Sou dos filmes de cobóis desde pequenino e particular consumidor dos spaghetti de Sergio Leone com molho de Ennio Morricone. Comecei a vê-los no Cinema de Fafe há mais de cinquenta anos e tenho-os agora na despensa, a colecção completa e indispensável, que me foi oferecida pelo meu irmão Orlando. Gosto. Gosto e assobio. Vejo-os sempre que me apetece, e se dão na televisão (como dão de vez em quando na RTP 2, cada vez menos, ou agora nestes canais que nos saem do bolso, como, por exemplo, outro dia, no Fox Movies), não mando ninguém ver por mim. Vejo. Vejo e assobio. Porém, ao fim destes anos todos e após milhões de sessões, devo confessar o seguinte: continuo sem perceber a morte dos bandidos. Há ali qualquer coisa que não bate certo. Quer-se dizer - os bandidos é como tordos, morrem uns atrás dos outros, do mais fraquinho até chegar ao chefe, e assim é que está bem, ordem acima de tudo, mas já repararam à custa e ao fim de quantos balázios? Já contaram quantas balas são precisas para matar um bandido, um só, nem que seja um simples soldado raso, um bandido tão bandido que nunca abriu a boca durante o filme, um figurante praticamente? Mais de dezasseis e todas na muche, até que o estafermo do bandido, um só, aceite esticar de vez o pernil, deixando o filme avançar. É muita despesa e má propaganda à inquestionável pontaria, por exemplo, de um atirador do calibre de um Clint Eastwood. Em contrapartida, quando a coisa é resolvida à facada, o mau da fita morre logo à primeira. Tiro e queda, já viram?
Acho mal. E no entanto assobio. Ennio Morricone é que sabia...

P.S. - A noite dos Óscares é amanhã, se não me engano. E eu há anos que não lhes ligo. Preferia, sinceramente, quando os óscares eram acúrsios.

domingo, 20 de outubro de 2024

Em português diz-se bullying

Foto Hernâni Von Doellinger

Hoje é Dia Mundial de Combate ao Bullying. Isso, ao bullying. Bullying quer dizer bullying, que é como se diz e escreve bullying em português, isto é, bullying. E há quem diga que tudo começou em Fafe. Por outro lado, o uso da palavra "Combate" neste contexto parece-me assim um bocadinho desajustado para a gramática wok de hoje em dia, mas isto sou eu, que sou um tolo - como diz a minha mãe.

terça-feira, 30 de janeiro de 2024

Desarmado em parvo

Ele era tão pacifista, tão pacifista, tão objector de consciência, tão objector de consciência, tão não-violento, tão não-violento, que havia quem dissesse que ele andava constantemente desarmado em parvo.

O homem-bala

Cabisbaixo e de mala na mão, o homem-bala apresentou-se logo de manhãzinha na rulote da gerência. Deixava o circo. Ia embora para casa. Descobrira durante a noite que era objector de consciência.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

Uns para os outros

José deu uma facada a António. António deu um tiro a José. É a vida. Temos de ser uns para os outros.

P.S. - Hoje é Dia Internacional da Solidariedade Humana.

quinta-feira, 10 de agosto de 2023

Ser sequestrado é realmente um chatice

O Verão Quente de 1975 entrava em brasa Outono adentro. E em Fafe também entrou, não pensem que não, e viveram-se aqui dias dramáticos, trágicos, mas isso fica para outra vez. Entretanto. Era dia 12 de Novembro. Uma manifestação dos trabalhadores da construção civil convocada pela CGTP, e com o então poderosíssimo PCP na régie, cercou o Palácio de São Bento, em Lisboa, e sequestrou a Assembleia Constituinte e o Governo, que também estava em casa. Durante 36 horas! Quem se lembra do primeiro-ministro Pinheiro de Azevedo? "Estou farto de brincadeiras, ok? De brincadeiras, hã! Fui sequestrado, já duas vezes. Já chega! Não gosto de ser sequestrado! É uma coisa que me chateia, pá! E agora vou almoçar"... E foi.

P.S. - O almirante José Baptista Pinheiro de Azevedo, membro da Junta de Salvação Nacional, chefe do Estado-Maior da Armada e primeiro-ministro do VI Governo Provisório (1975-76), morreu no dia 10 de Agosto de 1983. Tinha 66 anos.

terça-feira, 4 de abril de 2023

O bom, o mau e o sermão

"Não oponhais resistência ao mau; se alguém te bater na face direita, oferece-lhe também a outra", ensinou Jesus no Sermão da Montanha (Mt 5, 39). Ora isto de querer fazer de nós bonzinhos à força parece-me um perigoso incitamento à violência. À violência do outro, do mau. Que ainda por cima vai ser mais mau pela segunda vez, e por nossa culpa, nossa tão grande culpa.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

Amai-vos uns aos outros (mas devagarinho!)

Ele padecia de um tipo particularmente violento de paronímia. Amiúde confundia bondade com bondage - o que, convenhamos, é deveras inconveniente.

P.S. - Hoje é Dia Internacional do Fetiche. A sério...

Candidaturas ao Prémio A. Lopes de Oliveira

Decorre o período para concurso ao Prémio Literário A. Lopes de Oliveira / Câmara Municipal de Fafe, destinado a distinguir estudos históric...