quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
Os Reis à moda antiga
Está aí o 39.º Encontro de Cantadores de Reis do Concelho, já no próximo domingo, dia 11 de Janeiro, a partir das 15 horas, em vários espaços da cidade de Fafe. As eliminatórias decorrem no Teatro-Cinema, Auditório do Grupo Nun'Álvares e Igreja Nova. Serão seleccionados 12 grupos para a final, marcada para as 17 horas, no Pavilhão Multiusos. Mais informação, aqui.
terça-feira, 6 de janeiro de 2026
Os Reis das escolas
Encontro de Cantares de Reis das Escolas, na próxima sexta-feira, 9 de Janeiro, a partir das 10 horas, no Pavilhão Multiusos de Fafe.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2026
O meu avô era um artista
Já contei que o meu avô da Bomba, apesar de quarteleiro dos Bombeiros de Fafe, e daí o apelido, nunca se apartou completamente do velho e honrado ofício de sapateiro com que se iniciara na vida. Enquanto pôde, num cantinho por baixo das escadas que subiam para "o salão" do quartel da Rua José Cardoso Vieira de Castro, onde os finalistas da Escola Industrial levavam à cena a sua récita anual, ele manteve banca privada e fez, com desenho próprio, as sandálias e sapatos que calçavam a família. A família lá de casa dele, quero dizer, mulher e filhos, porque o meu avô não era de dar, nem para a família, vamos dizer assim, além-soleira. O máximo que dava eram os bons-dias e variadas ordens, mas exigia o troco e o recibo com número de contribuinte.
Em todo o caso, fui semanticamente injusto quando chamei sapateiro ao meu avô da Bomba. Sapateiro. Nestes tempos em que nem os cegos são cegos - são invisuais -, agora que já nem há mentirosos - mas inverdadeiros ou faltadores à verdade, como se sugere na política -, nos dias em que nem os bois são chamados pelos nomes - têm números -, chamar sapateiro ao meu avô da Bomba é praticamente um insulto, e estou muito arrependido, que me desculpem os sapateiros propriamente ditos e os atamancadores em geral.
Em todo o caso, fui semanticamente injusto quando chamei sapateiro ao meu avô da Bomba. Sapateiro. Nestes tempos em que nem os cegos são cegos - são invisuais -, agora que já nem há mentirosos - mas inverdadeiros ou faltadores à verdade, como se sugere na política -, nos dias em que nem os bois são chamados pelos nomes - têm números -, chamar sapateiro ao meu avô da Bomba é praticamente um insulto, e estou muito arrependido, que me desculpem os sapateiros propriamente ditos e os atamancadores em geral.
Se escrevesse hoje, e é o que faço agora, eu diria que o meu avô da Bomba era um mestre do artesanato, um artífice do calfe, uma sumidade da sovela, uma Joana Vasconcelos por antecipação, e fazia-lhe um museu, se mo pagassem; diria que o meu avô era uma start-up em pessoa e metia-o na Bolsa de Nova Iorque, se me deixassem; diria que o meu avô era um criador de sapatos e enchia-o de massa do PRR, se ma dessem; diria que o meu avô era um caso exemplar do empreendedorismo nacional e pendurava-lhe mais uma medalha no 10 de Junho, se mandasse; diria que o meu avô era um estilista, um designer de calçado, e acompanhava-o à Feira de Milão, assim a agenda mo permitisse. É isso. Se escrevesse hoje, eu diria que, para todos os efeitos, o meu avô era um designer, um estilista, um artista - sobretudo um artista. Ai era, era...
P.S. - Hoje é Dia de São Simeão Estilista. Simeão Estilista, o Antigo, para se distinguir de Simeão Estilista, o Moço, nasceu em Alepo, norte da Síria, por volta de 389, faleceu em Telnessin, em 459, e terá sido o primeiro santo estilista. "Estilista" diz que advém da palavra grega stylos, que significa coluna. Era no topo de uma coluna que Simeão vivia, pregando e jejuando, preso por uma corrente. Quer-se dizer, hoje em dia trabalharia numa discoteca da moda. E o outro também.
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sábado, 3 de janeiro de 2026
O capacete antes de deitar
Isto das idades realmente
O quarentão é a média de todos nós. O cinquentão começa a desconfiar da vida. O sexagenário passa a constar das notícias. O septuagenário anda em contramão na auto-estrada. O octogenário é porque se safou no acidente. O nonagenário quer que os quarentões, os cinquentões os sexagenários, os septuagenários e os octogenários se fodam e refodam. O centenário só se realiza de cem em cem anos, e está certo.
Habituei-me. Sempre que pude na vida, dormi a minha soneca no chão do campo, do monte e até da praia, se pela fresca da manhã e com a praia só para mim. Casei e fui morar para a Foz, no Porto: a casa dos meus sogros tinha um quintal-jardim que era um mimo, e era ali que eu me estendia, no cimento do caminho ou na relva do coradoiro, em tardes e noites de suar em bica. Depois bebia uma ou duas garrafas de espadal bem fresquinho, e já estava em condições de ir para a cama...
Agora, moro há mais de trinta anos em Matosinhos, com o mar a passar-me à porta e a enrolar na areia, mas custa-me muito a deitar, ainda por cima no chão, que me fica cada vez mais longe, e preciso de um guindaste aqui do Porto de Leixões para me levantar. Mas não resisto: de quando em quando, dá-me para a toléria - é a idade -, ponho o capacete e, em quatro ou cinco movimentos muito complicados e perigosos, às vezes doze, consigo deitar-me no chão da sala, com muitos ais! e muitos uis! pelo meio, os ossos rangendo, a cabeça a ourar e a televisão ligada só para que o som me faça companhia e me disfarce os queixumes. Às tantas a Mi entra, assusta-se comigo ali esparramado no lamparquet com vinte anos de garantia e grita: - Ai, valha-me Deus, que ele morreu, coitadinho! Que é da motorizada, homem?...
E eu, de olhos fechados e mãos cruzadas sobre o peito, só me falta o terço: - Chama mas é a polícia, mulher, que a culpa foi do outro...
Moral da história: este frio, será do tempo?
P.S. - Versão revista e aumentada, publicada no meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia do Festival do Sono.
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Verão
O faquir
Homem que é homem, não dorme. Passa pelas brasas. E sem ais nem uis!
P.S. - Hoje é Dia do Festival do Sono.
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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026
O introvertido
Hoje é Dia Mundial do Introvertido. Mas vamos deixá-lo em paz...
P.S. - Hoje é Dia Mundial do Introvertido.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
Um dia para a paz, o resto somos nós
Hoje é Dia Mundial da Paz. E pensou muito bem o papa Paulo VI quando, em 1967, inventou a efeméride, marcando-a logo para o primeiro dia do ano. Assunto resolvido! Os outros 364 dias ficam por nossa conta. E é a merda que se vê...
P.S. - Hoje é Dia Mundial da Paz.
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