Eu era um pessimista da pior espécie. Não me lembro se de nascença ou se me fiz assim por necessidade. Depois de repente a minha vida ficou tão fodida, tão fodia, que só pode melhorar. E quando dei fé eu já era um optimista que até meto nojo. Actualmente vejo sempre o melhor das coisas, por piores que elas sejam. Por exemplo: no outro dia tive de ser submetido a uma colonoscopia total (o adjectivo "total" é sugestivo, não é?) e guardo daqueles momentos de franco convívio e sã camaradagem a mais grata das recordações.
Noutros tempos, meter a cabeça numa touca de plástico, vestir uma bata de tacha arreganhada atrás e ficar de cu ao léu e meias seria o suficiente para me desmoralizar. Sobretudo por causa do ridículo das meias. Ainda por cima em público e sendo o objectivo da coisa entrarem-me por onde não devem. Mas agora não, até apreciei. A equipa que tratou de mim era completamente feminina, só mulheres, por acaso todas do sexo feminino, se me permitem a redundância antiga e se me estão a perceber. Que mais é que eu haveria de querer, já que estava ali em pelote? Eram três à minha volta, nunca me tinha visto noutra. Deitaram-me e aqueceram-me os tomates, puseram-me a jeito, enfiaram-me a anestesia, pediram-me para pensar em coisas boas e eu pensei, pediram-me para chegar o rabinho um pouco mais para trás e eu cheguei, estava-se bastante agradável, comecei a sentir um formigueiro bom mas têmporas e apaguei-me inteiro nas mãos delas, distraído mas com todo o gosto. Vim a mim passado não sei quanto tempo. Também não sei o que me fizeram entretanto, e podia pensar o pior. Mas não. Agora que sou optimista, gosto de imaginar que aquilo de que não me lembro foi muito, muito bom. Para os quatro.
P.S. - Hoje, 18 de Outubro, o Brasil assinala o Dia do Médico, que em Portugal é a 18 de Junho. E depois venham-me falar de "acordo ortográfico"...
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