Mostrar mensagens com a etiqueta pássaros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta pássaros. Mostrar todas as mensagens

sábado, 9 de maio de 2026

A passarada fafense

O Facebook da Câmara de Fafe tentou colmatar a habitual falta de "notícias" da silly season com a publicação de uma série de verbetes a respeito de pássaros. Isso, elencando, uma a uma, as, assim apresentadas, "espécies autóctones de Fafe", assunto tão a propósito agora para as nossas Feiras Francas. Foi no ano passado, evidentemente pelo Verão. Uma iniciativa muito bonita, leve e arejada, tirando o facto de, na verdade, não existirem "espécies autóctones de Fafe". Nem o passarinho dom-fafe, que tem um nome assim aparentemente tão nosso, é daqui natural. Há aves que, como dizem os especialistas, ocorrem em Fafe, isto é, podem ser vistas em Fafe, mas são de todo o lado, ou de quase todo o lado, não foram inventadas em Fafe, não nasceram em Fafe pela primeira vez, logo a seguir aos dinossauros ou, pelo menos, no tempo dos romanos, para depois se espalharem pelos quatro cantos do mundo, como os nossos emigrantes. E é isso o que "autóctone" quer dizer...
Haverá em Fafe, quando muito, espécies de aves autóctones de Portugal, que são poucas, sobressaindo evidentemente as galinhas: a galinha amarela ou galinha minhota, a galinha branca, a galinha pedrês portuguesa, a galinha preta lusitânica e o peru preto português ou peru preto alentejano. Mas pronto.
Se tomei devida nota, o Município fafense chamou a si a andorinha-das-chaminés, o tartaranhão-caçador, o corvo-marinho-de-faces-brancas, o papa-figos, o tartaranhão-azulado, a garça-real e o cuco-canoro. E eu fiquei, sentado, à espera do resto. Dos melros, dos pombos, das rolas, das pegas, das poupas, das fuinhas, dos bufos, das escrevedeiras, dos maçaricos, dos abutres e, por exemplo, dos papagaios, que realmente abundam em Fafe e também são filhos de Deus.
Entretanto a série parou, sem mais explicações até hoje. Talvez a obra tenha ficado a meio...

P.S. - Hoje é Dia Mundial das Aves Migratórias e as Feiras Francas de Fafe começam na próxima quarta-feira.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

O milagre das pombas

Foto Hernâni Von Doellinger

Evasão
- Mais vale só do que mal acompanhado - disse o recluso n.º 14.112. E fugiu.

Todas as manhãs, faça chuva ou faça sol, dias úteis ou dias inúteis. Todas as manhãs, de saquinho na mão, ele sai de Matosinhos atravessando o Passeio Atlântico de uma ponta à outra, em passo leve e decidido, e entra breve no Porto. No saquinho leva comida para os pássaros - milho para as pombas e pedaços de pão para os patos mas pouco, para os corvos-marinhos às vezes e para as vorazes e cagonas gaivotas. Sim. Para as gaivotas, raça tão desprestigiada hoje em dia, vítima de perseguição e tentativa de genocídio perpetradas por alguns autarcas aqui da beira-mar. Ele, o homem do passo leve e decidido, dá-lhes o almoço.
E todas as manhãs acontece o extraordinário: por alturas da Rotunda da Anémona, fronteira municipal, as pombas saem-lhe da cartola, materializam-se do nada, fazem-lhe bando por cima da cabeça e acompanham-no em revoadas dançarinas até à distribuição geral, no charco mais ocidental do Parque da Cidade, à porta da abandonada Kasa da Praia. As pombas reconhecem o seu benfeitor? Identificam o saquinho? Vão apenas ao cheiro? Serão, por assim dizer, o Espírito Santo em pessoa? Não sei - mas aquilo comove-me. Espanta-me. Fosse em Fátima, e seria certamente milagre.
Servido o festim, o cuidador de pássaros volta para casa pelo mesmo caminho, sempre com uma pequena reserva de pão e de milho no fundo do saco, prevenindo emergências, que as há. Pomba tresmalhada ou retardatária, gaivota de asa caída ou manca ou qualquer outra ave freelance também têm direito à sua dose individual, no respeito do espaço de cada qual. É. Os solitários entendem-se...

Pois durante a pandemia, pela menos, o gentil alimentador da passarada desapareceu-me da vista. E a mim, caramba, fez-me diferença, porque eu dava-lhe valor. Fui também, no meu tempo de miúdo, em Fafe, um razoável pensador de galinhas e coelhos, e portanto havia ali qualquer coisa que me dizia respeito, que me enternecia e, verdade seja dita, também me abria o apetite, e vinha-me à cabeça o franguinho guiado pela minha avó de Basto na panela de ferro apurando ao borralho.
Felizmente o senhor das pombas voltou, e em grande forma. Uma sorte para ele, para os pássaros e também para mim, que estou sempre a ligar umas coisas às outras e sou tão dado a nostalgias, e se for à mesa melhor...

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia de Alimentar os Pássaros.)

sábado, 7 de setembro de 2024

Em extinção? Era bom!

Hoje é Dia Internacional do Abutre. E quem diz abutre, diz usurário, agiota, especulador, onzeneiro, ganancioso, interesseiro, avarento, agarrado, mesquinho, somítico, explorador, aproveitador, intrujão, chupista. Quem fala em risco de extinção, certamente não conhece Portugal...

terça-feira, 4 de junho de 2024

A invasão das pegas

Lembro-me muito bem. Pegas, se as queria ver, tinha de ir à aldeia, ao campo. Via-as às vezes, uma ou duas, três, sem abusos, nas minhas férias de Verão com a Bó de Basto, em Passos, Cabeceiras, e mais raramente ainda nas bouças de São Gemil e Cavadas, em Fafe, durante o resto do ano. As pegas antigamente eram uma raridade para a vista.
Não sei o que é que aconteceu entretanto, mas hoje em dia as pegas estão em todo o lado, às centenas, e se calhar aos milhares, não estou é para as contar. Decerto derivado ao Parque da Cidade do Porto, o bendito Parque da Cidade do Porto, as pegas instalaram-se de armas e bagagens em todas as redondezas da Invicta e particularmente aqui nesta zona de Matosinhos, que lhe fica mesmo ao lado. A minha rua está agora constantemente cheia de pegas, e eu por acaso gosto de vê-las e até, em dias mais bem dispostos, de ouvi-las, mas não as procuro, nem é preciso.
É realmente uma invasão. A invasão das pegas. Mas também de melros, há que dizê-lo em abono da verdade, e ultimamente de papagaios, que andam por aí aos bandos, desorientados e barulhentos, num falatório que só visto. Pegas, melros e papagaios. Não sei o que é que se passa com o mundo.

(Publicado originalmente no meu blogue Tarrenego!)

Candidaturas ao Prémio A. Lopes de Oliveira

Decorre o período para concurso ao Prémio Literário A. Lopes de Oliveira / Câmara Municipal de Fafe, destinado a distinguir estudos históric...