De 19 a 24 de Junho, Festas de São João na Fábrica do Ferro. Muita música, animação de rua, arraial com comes e bebes, marchas populares e missa solene. Organização dos Leões do Ferro.
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quinta-feira, 18 de junho de 2026
sexta-feira, 29 de agosto de 2025
Sãos Joões há só dois, fora os outros
| Foto Hernâni Von Doellinger |
O azar do nosso São João, o Baptista, é não ter sido o outro, o Evangelista. O nosso São João era um bocado esquisito mas muito homem: profeta ambulante, vestia-se de peles de camelo, usava um cinto de couro, comia gafanhotos e mel e convivia muito bem com cabritinhos e cabritinhas. Clamava no deserto. Um deserto que inopinadamente tinha um rio chamado Jordão como o cinema de Guimarães, e foi ali mesmo, no rio que não no cinema, que João, o nosso, inventou o baptismo e baptizou o primo Jesus. O nosso São João era a Ana Gomes daquele tempo. Punha a boca no trombone sem pauta nem contenção e isso haveria de custar-lhe a cabeça, ainda nem chegara aos trinta anos. Os amigos do Baptista tinham uma certa vergonha dele e muito gosto na própria cabeça, e por isso deram-lhe o nome de código de O Precursor, para que não se soubesse de quem falavam quando falavam. Hoje em dia, o analfabetismo instalado chama-lhe "O Percursor".
O São João que não é nosso, o Evangelista, era mais manso e teve uma vida flauteada. Morreu velho e de morte natural. Filho de Zebedeu, irmão de Tiago Maior e eventualmente sócio de André e Pedro no negócio das pescas, seria o mais novo dos doze apóstolos do Nazareno, segundo consta. De pescador quiçá analfabeto, fez-se teólogo e escritor. De evangelho e epístolas, apocalíptico até mais não. Discípulo dilecto, João, o que não é nosso, era aquele a quem Jesus amava, o que se lhe aninhou no peito durante a Última Ceia, está nos retratos. E o assunto continua a prestar-se, ainda hoje, às mais diversas e variadas.
No meu tempo de Fafe, quanto a santos populares, o São João era um hospital muito grande no Porto, felizmente com a camioneta da João Carlos Soares a passar-lhe à porta. Tínhamos, isso sim, o Santo António da minha rua, o São Pedro da Recta, creio que ainda frequentei o São Pedro da Granja e, já de saída, talvez tenha presenciado os primeiros passos do que é hoje o famoso São João da Fábrica do Ferro. Quanto ao resto, deixai estar que está bem.
O mais que se sabia do São João eram uns versinhos muito antigos que certamente pertencem ao cancioneiro fafense e era de norma cantar à mesa na noite de passagem de ano, quando já estavam todos mais para lá do que para cá. Assim fazíamos na nossa família. Insisto, para quem não é de Fafe: fafense deve ler-se e dizer-se fafénsse. E os versinhos contavam mais ou menos assim:
O São João, ó dlindlindlim,
tem um carneiro, ó dlandlandlam,
com dois guizos no pescoço.
E quando toca, ó dlindlindlim,
o guizo fino, ó dlandlandlam,
também toca o guizo grosso.
Agora, quereis saber uma coisa sem pés nem cabeça, literalmente sem cabeça? É o seguinte: a 24 de Junho, com uma festa popular que começa logo a 23, o povo assinala em grande alegria o nascimento do santo, mas a Igreja Católica e outras tendências cristãs celebram a 29 de Agosto o Dia do Martírio de São João Baptista, ou a Decapitação de João Baptista, ou a Decapitação de São João Baptista, ou a Decapitação do Anunciador, ou a Decapitação do Precursor. Quer-se dizer: festeja-se a também chamada degolação do nosso São João. Valha-nos Deus! A Igreja faz da barbaridade uma festa, e não há maneira de ganhar juízo.
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domingo, 23 de junho de 2024
sexta-feira, 23 de junho de 2023
As amigas de Peniche
As sardinhas saíram atrasadas este ano. Quero dizer, as nossas, as sardinhas do nosso mar, cá em cima, que são as minhas predilectas. No ano passado abri a época logo no dia 29 de Abril, e com satisfatórios resultados, como já aqui contei, mas este ano, eu sempre em cima delas, só arrisquei trazê-las para a mesa no dia 12 de Maio, para desougar, e, coitadinhas, eram mínimas, desenxabidas e secas como bacalhau da peça. Um desconsolo! Tive de suspender e apostatar, se queria salvar as minhas, nossas, sextas-feiras. É. Logo que entrados no tempo delas, sexta-feira ao jantar é dia de sardinhada cá em casa. Sardinhas de prata e com mar dentro, salada de pimento assado, vermelho e carnudo, azeitonas pretas e azedas, broa fresca e vinho tinto, mais nada. Portanto. Valeram-me as amigas de Peniche, sardinhas lá de baixo, mais robustas e já apaladadas, regulares, que a boa Dona Augusta, a minha fiel sardinheira há mais de trinta anos, me foi orientando, como quem não quer a coisa, para que pelo menos não me caísse a pirângula. E não caiu.Comi 243 sardinhas assadas, no ano passado. Com este atraso que levo, não faço ideia de quantas vou comer este ano. E o ano das sardinhas, para mim, afrontando o que diz a chamada sabedoria popular, vai até Setembro e Outubro, que são os melhores meses, e às vezes até Novembro.
Entretanto, as nossas sardinhas, as do nosso mar, já se encontram finalmente em aceitáveis condições, de tamanho, gordura e gosto. Prometem. As nossas sardinhas de São João, comemo-las ontem à noite, a minha mulher e eu, assadas como sempre por quem sabe, isto é, por mim, e, digo-vos uma coisa, foram baratas, eram frescas como água e estavam bem boas. Assunto resolvido.
Porque já se sabe. Eu e a minha mulher não comemos sardinhas assadas nos dias mesmo dos festejos dos santos populares. Não comemos, porque geralmente as sardinhas não são das nossas, nem frescas. Não comemos, porque não gosto de balbúrdias, por um lado, nem de me meter em filas, em peixeiradas, por outro. E não comemos, por uma questão de princípio, devido à indecência do preço a que costumam ser vendidas por estes dias. É a lei da vida, a procura estraga a oferta. E então o que é que eu faço? Pelo São João, já há alguns anos, alugo um jacto particular, pego na mulher e vamos ao Maine, EUA, comer lagostas à ganância. As lagostas ficam-nos muito mais em conta do que as sardinhas e ainda trazemos para casa num taparuere.
Entretanto, as nossas sardinhas, as do nosso mar, já se encontram finalmente em aceitáveis condições, de tamanho, gordura e gosto. Prometem. As nossas sardinhas de São João, comemo-las ontem à noite, a minha mulher e eu, assadas como sempre por quem sabe, isto é, por mim, e, digo-vos uma coisa, foram baratas, eram frescas como água e estavam bem boas. Assunto resolvido.
Porque já se sabe. Eu e a minha mulher não comemos sardinhas assadas nos dias mesmo dos festejos dos santos populares. Não comemos, porque geralmente as sardinhas não são das nossas, nem frescas. Não comemos, porque não gosto de balbúrdias, por um lado, nem de me meter em filas, em peixeiradas, por outro. E não comemos, por uma questão de princípio, devido à indecência do preço a que costumam ser vendidas por estes dias. É a lei da vida, a procura estraga a oferta. E então o que é que eu faço? Pelo São João, já há alguns anos, alugo um jacto particular, pego na mulher e vamos ao Maine, EUA, comer lagostas à ganância. As lagostas ficam-nos muito mais em conta do que as sardinhas e ainda trazemos para casa num taparuere.
sexta-feira, 16 de junho de 2023
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