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domingo, 1 de março de 2026

Fafenses excelentíssimos

Foto Hernâni Von Doellinger

E eu, bico calado
A minha sorte, hoje em dia, é que só encontro pessoas que têm certezas absolutas sobre tudo. Sabem tudo de tudo. Eu nem abro a boca. Tenho a vida muito facilitada.

O Canivete que vendia jornais, o Palhaço que fazia autópsias, o Cesteiro que esteve nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial, o Paredes que também era Neiva de mãos enormes e falso susto para crianças, o Landinho eterno Menino, o Landinho do Club que tinha uns testículos muito compridos e era primo de quem fosse importante mesmo que fosse estrangeiro, o Piu, o Chico Cereja, o Sandim que levava os filmes de carrinho, o Tónio da Legião, o Dr. Antunes, o Antunes Chapeleiro, o Felinhos, o Zé Carlos Estantio.
A Rosa do Piroco (Senhora Rosa do Mato!, corrigia-me a minha mãe), o Zé de Castro poeta e cauteleiro, o Chupiu, o Manel do Campo, o Luisinho com o "criado" atrás, o Zé Cão, o Roda Forte cauteleiro, o Pai Zé cauteleiro e gasolineiro, o Meireles de Antime, o Malhado decilitrador premiado e competente arranjador de guarda-chuvas, o Clemente que construía pipas e escadas e era tão pequenino que eu nunca percebi onde cabia tanto tabaco e aguardente, o gigante Barnabé e o mano, o Rates artista da bola, o poeta Augusto Fera, o Álvaro da Dinâmica, o carteiro Aristides, o Zé Sacristão, o Sr. Ferreira do Hospital, o 17 da Bomba, meu avô.
O Sr. Arcipreste, o Maló que era de Fafe em dias certos e cantava fanhosa e desalmadamente o "despedi-me e fui para longe" na esquina da minha rua, o Quinzinho da Farmácia que era o melhor médico do mundo, o Rui que era irmão do Renato e ardinava o Comércio do Porto, o Pedro e o Norte Desportivo, o Guia e a língua portuguesa, o Zegolina e a má-língua, o Batata, o Miguel Chichilim, o Fiu, o Chichirini, o Albino Rapelho, o Neca do Hotel, o Zé Manco, o Zé Manquinho, o Sibino, o Sr. Augusto Paredes, o Jerónimo Barbeiro, o Zé Bastos, o Tronchuda, o Fala-Barato, o Vida-Alegre, o Chester faz-tudo, o Nélson Fafe e a alma do teatro, o Sr. Saldanha e a Bandeira Nacional.

(Isso. António Saldanha, que dá nome à rua por Cima da Arcada. Foi dono do Café Avenida, um homem decente, democrata e habilidoso protector dos antifascistas fafenses durante o anterior regime. Após o 25 de Abril, o Sr. Saldanha era disputado por todos os partidos para marcar presença, em lugar de convidado de honra, nos respectivos comícios. Já cego, em datas certas ou avulsas, o Sr. Saldanha fazia içar a Bandeira Nacional na mansarda da casa onde morava, ao lado da Igreja Nova, quase em frente à actual entrada para a Urgência do Hospital de Fafe. Era a sua celebração da liberdade.)

Na música: os Bacalhaus, os Custódio, os Gandarelas, os Betas, os Silvas, os Maciéis. Nos bombeiros: o comandante Luís Mário, os Costas do Assento, os Feira Velha, os Quintos, os Ferreiras e os Nogueiras, os Moleiros e os dos Santo, mestres também de filosofias de carne e osso e do jogo do pau.
O Joãozinho da Loja Nova que era um partidão e nem assim, o Joãozinho Summavielle e o meio fininho ao balcão do Peludo de costas voltadas para a televisão, o engenheiro Mário Valente doente da bola e fazedor do que Fafe é, o Albano das Águas esperto que eu sei lá, o Armindo Alves que era a Banda de Revelhe, o Mário Chanato, o Zé do Registo, o Fernando da Sede, o Sr. Avelino do Café, o Flórido engraxador, o Belinho, o Baptista do Asilo, o Nelinho da SIF, o Guarda-Fios, o Miguel do Zé da Menina, o Miguel Cantoneiro, o Chaparrinho, o Nelo Chapeleiro, o Manel da Pinta, o Nelinho Barros, o Hugo Alfaiate, o Chico da Libânia, o Toninho Nacor e a Dona Isabel, o padre Barros, o padre Zé, o Bilinho e o Bergiga meus companheiros de infância, o inesquecível Berto Dantas.
E, ainda por cima, o grande Zé Manel Carriço, provavelmente o homem mais extraordinário que conheci em toda a minha vida.
A todos e outros que tais, os meus respeitos. Muito agradecido por serem a minha memória.

Aqui há uns anos soube que foi feito um "Dicionário dos Fafenses" ilustres. A lista oficial, estou quase certo, não será exactamente esta, a minha, posto que incompletíssima. Mas lá está. A ilustreza é um conceito deveras relativo. Como certos e determinados pronomes.

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia Mundial do Elogio.)

domingo, 11 de janeiro de 2026

Muitíssimo obrigadíssimo

Hoje, 11 de Janeiro, queira-se ou não, é Dia Internacional do Obrigado. O Dia Internacional do Obrigado nasceu obviamente nas chamadas redes sociais. Amanhã, decreto eu, será Dia Internacional do Faz Favor de Desculpar.

P.S. - Hoje é Dia Internacional do Obrigado.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Deus fica com tudo

Saio da cama praticamente de madrugada, vou ao peixe para a minha sogra que se desfez dos dentes e esconjura a carne com sortilégios que ignoro, cozinho o peixinho como manda a lei, assim e assado, com mais isto e mais aquilo, vario receitas, invento pratos, precato-me do sal, suprimo a gordura, provo, reprovo, rectifico, aprovo, refino, ponho-lhe mesa lavada, ajeito travessa bonita, a minha sogra come, come, come para o guinness, faz barulhos estranhos mas não diz nada, porque ovelha que berra bocado que perde, sobremesa, café, termina, com licença, afinal fala, sai da mesa e volta para a televisão, benze-se a mil à hora, não sei como consegue, e ouço-a: Obrigado, Senhor, bzzz, bzzz, bzzz. Afino! Quer-se dizer: eu acho que também fiz qualquer coisinha...

P.S. - Hoje é Dia Internacional do Obrigado.

Toy no Sol da Chafarica

O Sol da Chafarica está de volta à Praia Fluvial de Agrela e Serafão, Fafe, com Toy e Mastiksoul em destaque. No próximo sábado, dia 8 de Ag...