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quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Um bocado palerma

Os óculos são como as luvas, as calças, as meias, as botas, os patins, as jarras, os estalos, os cornos e outras coisas boas da vida - vêm aos pares. Ocorreu-me este acutilante pensamento porque precisei de mudar de óculos. E então: "Estes óculos fazem-me um bocado palerma", disse eu à menina da loja, mirando-me no espelho enganador. "Não diga um coisa dessas, por acaso até lhe ficam muito bem", disse-me a menina da loja, cumprindo a sua obrigação. "Exactamente, é isso que eu quero dizer: estes óculos favorecem-me. Normalmente sou palerma completo", esclareci.

P.S. - Hoje é Dia Mundial da Visão. E também da Sábado, que agora sai às quintas.

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

Óculos sem bateria

É desagradável. Pousar os óculos e depois não saber onde. E precisar deles para os procurar. E pegar no telemóvel para lhes ligar, obrigando-os a darem sinal de si. E então lembrar-me de que nunca pus os óculos a carregar.

P.S. - Publicado no dia 20 de Setembro de 2022. Hoje é Dia Europeu da Reciclagem de Pilhas. Em Fafe, que liga tanto às efemérides de bem parecer, a festa há-de ser de arromba, eléctrica, certamente na Praça da Justiça, junto à estátua de que antes os doutores da Câmara tinham vergonha e agora serve-lhes de pau para toda a colher - e eu acho muito bem! 

quarta-feira, 26 de julho de 2023

O esperanto em português suave

A mim ninguém me leva!
Quem frequenta regularmente oftalmologistas, optometristas e oculistas, sabe muito bem: os óculos estão pela hora da morte. Um par de óculos de apenas razoável qualidade custa-nos os olhos da cara. O que se paga por uns óculos dá para comprar um carro em segunda mão. Ou, em alguns casos, até dois carros em segunda mão. E foi o que eu fiz: desisti dos óculos, que a mim ninguém me leva, peguei no dinheiro que lhes tinha destinado e adquiri pela internet uma viatura "em razoável estado de conservação e óptimo consumo". Fiquei muito bem servido. Por outro lado, não sei conduzir, o automóvel nem sequer pega e eu praticamente não vejo.

O turista estrangeiro aproximou-se do vendedor de óculos de sol de beira de praia. Era obviamente um turista estrangeiro, só eu e os turistas estrangeiros é que sabemos malvestir tão bem, nunca me engano a esse respeito. O vendedor de óculos de sol de beira de praia é português dos quatro costados, conheço-o de ginjeira, Verão atrás de Verão, monta banca todos os dias ali em baixo e quando chove é vendedor de guarda-chuvas de beira de praia. É, além disso, ambulante, mas apenas para fugir à polícia municipal, e um grande fala-barato, fala que se desunha, inclusive pelos cotovelos, é um chato, "Olha os óculos, freguês, toalhinha prà praia, olha os óculos, olha a toalhinha, óculos, toalhinha, freguês...", e faz gestos explicativos, como quem comunica com índios ou talvez com surdos. Ele também percebeu logo que o cliente era estrangeiro. Mas pensais que se atrapalhou? Era o que faltava! Nós os portugueses temos connosco esta habilidade extraordinária de nos desenrascarmos sempre, seja em que situação for, cá em casa, lá fora ou pelo caminho, mesmo debaixo de água ou na estratosfera, aprendemos línguas, copiamos hábitos, camaleonizamo-nos, universalizamo-nos, se calhar nós é que inventámos o esperanto, não foi nada o polaco Ludwig Zamenhof, que por acaso também era oftalmologista. Possuímos, sem dúvida, este superpoder de desembaraço, improvisação e adaptação que tomaram muitos, até os americanos, e que fez dos portugueses assim ditos um povo das sete partidas do mundo por excelência. E nem é preciso ir mais longe: olhemos por nós abaixo, os fafenses, nesta acalorada época do ano, as nossas esplanadas rebentam pelas costuras e a língua oficial é o francês, toda a gente fala francês, mesmo quem não sabe falar francês, e até parece que estamos na Póvoa de Varzim.

Ou por outra. Era no passeio à beira-mar, mas podia ser em Cima da Arcada. Portanto, o turista estrangeiro abeirou-se do vendedor de óculos português e perguntou: - The glasses, how much?... (Estais a ver como eu tinha razão? Era ou não era um turista estrangeiro?).
E foi um clique, um cagagésimo de segundo bastou para que o rapidíssimo cérebro do nosso vendedor português mudasse o chip, fazendo um entre parênteses na língua do Camões e virando-se imediatamente para Shakespeare, para a língua inglesa. Cheio de segurança e enorme poliglotismo, respondeu ao camone, marcando ostensivamente as sílabas no mais escorreito acento oxfordiano: - Quali? Quali qui tu quieres?...

(Do meu blogue Mistérios de Fafe. Hoje é Dia do Esperanto.)

sexta-feira, 21 de abril de 2023

Por estes, que a terra há-de comer

Quem, por precisar, frequenta regularmente oftalmologistas, optometristas e oculistas, sabe muito bem do que eu vou falar. Os óculos. Os óculos estão pela hora da morte. Um par de óculos de apenas razoável qualidade, fiável assim-assim, de linhas mais ou menos actualizadas, custa-nos os olhos da cara. O que se paga por um par de óculos dá para comprar um carro em segunda mão. Ou, em alguns casos, até dois carros em segunda mão. E foi o que eu fiz: mandei foder os óculos, que a mim ninguém me leva, peguei no dinheiro que lhes tinha destinado e adquiri pela internet uma viatura "em razoável estado de conservação e óptimo consumo". Fiquei muito bem servido. Por outro lado, não sei conduzir, o automóvel nem sequer pega e eu praticamente não vejo...

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Para cima de sargento

A ver se nos entendemos, finalmente: os óculos graduados são todos para cima de sargento?

P.S. - Hoje é Dia Nacional do Sargento.

A esfera armilense

Cinco Quinas mais duas Carlota Joaquina, Teolinda Joaquina de Sousa Lança (aliás, Linda de Suza), Joaquina de Vedruna, Mariana Joaquina Apol...