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quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Arte fafense para ver no Porto

Foto Município de Fafe

Os entrançados de palha de Fafe estão em exposição na Galeria de Artes Certificadas, um novo espaço comercial inaugurado há dias na Rua das Flores, no Porto. Os entrançados de palha são, desde 2024, o primeiro produto artesanal certificado de Fafe. Na mostra estão presentes as 27 artes certificadas portuguesas. Mais informação, aqui.

sábado, 26 de julho de 2025

Sabem a pouco "os saberes" de Fafe

Foto Município de Fafe

"Fafe leva os seus saberes tradicionais à 47.ª Feira Nacional de Artesanato de Vila do Conde", informa o nosso Município. E explica: "Fafe estará representado com os seus emblemáticos entrançados de palha de Fafe". Mais nada. Quer-se dizer: "os saberes" de Fafe, afinal, é só um.

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

O que é preciso é dar ao dedo!

Foto CLDS Fafe / Expresso de Fafe
Há que tempos que eu não via uma coisa assim: uma mulher, ainda nova, a fazer malha num transporte público. Descontraída, com um sorriso nos lábios e manuseando habilmente o frenético par de agulhas, como num duelo, ia dando forma ao novelo de lã que, aos arranques, se lhe esvaía do colo. Era uma camisola, pareceu-me. E, a cena, um delicioso anacronismo. O metro do Porto é sítio para tudo, já lhes digo, principalmente para tudo o que meta telemóvel, bisnagas amaciadoras e calhamaços do José Rodrigues dos Santos. Mas fazer tricô é que eu nunca tinha visto. E gostei.
Passaram-se dois dias. Num jardim fronteiro à praia de Matosinhos, um jovem casal gozava o sol de fim de Verão e aproveitava para ensinar a filhita a andar de bicicleta. O pai acompanhava a menina em correrias, dando-lhe as instruções elementares, mas a mãe sentou-se. Sentou-se, abriu a bolsa, rapou de um pequeno embrulho que eu primeiro não distingui e, com a agilidade de um experimentado bonecreiro, ela começou a bater-se com quatro-agulhas-quatro, tantas quantas são precisas para tricotar meias de lã. Era o que ela fazia, uma meia. E percebi.
Percebi que isto não é só gosto, moda ou revivalismo, terapia ocupacional. É sobretudo precisão. Voltámos ao pior do tempo antigo. O Portugal democrático, da Europa, das auto-estradas, das universidades e do século XXI é afinal igual ao Portugal fascista e "orgulhosamente só", poeirento e obscurantista do tempo em que a minha mãe, por necessidade, fazia todas as minhas camisolas e as camisolas dos meus irmãos. (E que categoria que elas eram! Tenho uma comigo vai para quarenta anos, acreditam?)
Por outro lado, lembrei-me, pode estar exactamente aqui a salvação do País. Permitam-me que lance o desafio: porque não transformar o tricô num desígnio nacional? Porque não começarmos todos a fazer malha para fora? Porque não pôr este país de desempregados e falidos a dar ao dedo de norte a sul e ilhas, elas e eles, e apostar na internacionalização e exportação em barda das nossas peças de lã? Sim, porque não? Afinal, o que é que as natas e os pastéis de Belém são mais do que os barretes, os camisolões, os carapins e os coturnos genuinamente made in Portugal?...

P.S. Hoje é Dia Mundial do Croché. Por falar em dar ao dedo, os entrançados de palha de Fafe já estão devidamente certificados. Tratou disso o Município, e fez ele muito bem.

Feira do Livro de Fafe (quinta-feira)