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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

O verdadeiro drama brasileiro

O verdadeiro drama é este: já falta menos de uma semana, e milhões de brasileiros, sobretudo brasileiras, ainda não sabem de que se vão despir no Carnaval.

quarta-feira, 31 de maio de 2023

Em nome do Espírito Santo

Envolta na bruma das lendas, adornada pela magia das superstições e abonada por insondáveis espantos, impera há séculos no coração do povo das Ilhas a devoção ao Senhor Espírito Santo. Uma contínua, sempre renovada e abrangente procissão de beatos, fiéis, crentes, simpatizantes e até incréus vela por que não se extingam os sinais singulares desta tradição santa-profana que individualiza os Açorianos, na sua terra ou pelas lonjuras da diáspora.

Esta é uma crença muito antiga. As folias ao Espírito Santo, ainda que aparentem uma origem pagã no druidismo, ou na superstição grega, chegam a Portugal pelas mãos da Rainha Santa Isabel e são levadas para os Açores logo pelos primeiros povoadores. Convertidas na maior devoção e piedade, conservam-se até aos nossos dias: chamam-se, ali e agora, os impérios do Espírito Santo.
Os Açorianos são uma gente católica, extremamente crente e devota, e mesmo os mais fundamentalistas em matéria religiosa ou os ateus desobrigados fazem fé nos casos relacionados com o Divino Espírito Santo e temem as Suas "vinganças". É, como quem diz, uma questão de respeito.
Infinito é o rosário das salvações, grandes assombros ou modestos arranjos que o povo atribui à intervenção providencial do Divino - como gosta de chamar-Lhe, carinhoso, numa antiga e meiga confiança de nome próprio. Crises sísmicas e vulcões, pestes, o ror de maleitas e apertos do dia-a-dia, a vida difícil e o isolamento congregaram os ilhéus numa devoção que depressa se espalhou por todas as cidades, vilas e aldeias. E recorre-se-Lhe por tudo, coisa assim pataqueira ou missão a meio do impossível: simplesmente implorando melhoras em pró-forma de clínica geral ou prescrevendo cirúrgico tratamento de especialista; requerendo que o filho atine com os livros ou suspirando que calhe indulgência aos professores; convocando bênção para casamento novo ou clamando por intervenção de emergência em avaria conjugal; pedindo feliz termo para a viagem, que culturas e gado medrem, que as vinhas farturem, que o negócio corra, que o dinheiro não falte. Tudo, edecétrea atrás de edecétera, até aos limites de encomendas de alto lá com elas. O Divino por tudo olha, tudo remedeia - que não é Pessoa de desmanchar contratos, e isto é o povo a fazer constar.

Estamos em tempo de Espírito Santo e de Açores. Os parágrafos acima são o primeiro "fascículo" de um trabalho jornalístico que terei escrito talvez em 1992 ou 1993, não sei para quem. É prosa claramente datada, em todos os sentidos, mas outro dia reencontrei-me com ela e só me envergonhei um bocadinho. Sou apaixonado pelos Açores e mantenho uma relação muito especial e próxima com a ilha Terceira. Por isso voltarei ao assunto. Hoje é Dia do Espírito Santo ou Dia do Divino Espírito Santo, sobretudo no Brasil, para onde os portugueses levaram esta peculiar devoção lá pelos inícios dos século XVI.

Candidaturas ao Prémio A. Lopes de Oliveira

Decorre o período para concurso ao Prémio Literário A. Lopes de Oliveira / Câmara Municipal de Fafe, destinado a distinguir estudos históric...