No monte de São Jorge havia o Pionono, assim com maiúscula, é justo que se diga. Já aqui contei. Pionono era nome próprio, sítio, geografia. "Vou ao Pionono". Ia-se ao Pionono. E o Pionono era naquele tempo muito mais do que um acomodado cabeço, crescia sem fim à vista, misterioso, palpitante, labiríntico, agigantava-se floresta, cenário de filme, de livrinho de aventuras, de fantasia e crime. Ao Pionono ia-se aos pinheiros pelo Natal, ia-se esgaçar umas pernadas de carvalho para o trono da cascata do Santo António, ia-se aos fentos ou ao mato para o eido ou às giestas secas para espertar a lareira do chão da cozinha, ia-se brincar aos cobóis, ia-se cagar ao monte e ia-se dar umas trancadas, e o que eu gostava da palavra trancadas, mesmo sem conseguir então alcançar, coitadinho, o que ela quereria dizer.
O Pionono hoje é casas e está bem. Uma rua a descer mas pouco para quem vem e, a mesma, a subir mas pouco para quem vai. À merda. Monte é que... viste-lo?
E faz falta. Os montes fazem muita falta. Principalmente derivado às coisas boas da vida. Quer-se dizer. Adaptando livremente a caricatura de António Lobo Antunes, o meu particular e indesmentível Nobel, nem é homem nem é nada quem nunca deu uma boa trancada no monte. E eu já.
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