"Somos menos e estamos mais velhos, casamos pouco e continuamos pobres" - assim curto e grosso, este é o "Retrato de Portugal" que a Pordata, base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, fez questão de revelar aos jornais aqui atrasado.
Fico sempre de pé atrás com esta coisa do "somos" sem me terem perguntado nada. Lembra-me a história do frango para dois que um comeu e o outro viu comer, e portanto, estatisticamente, cada qual comeu metade.
Resolvi por isso esmiuçar, item por item, as grandes conclusões dos dados analisados, que reportavam aos anos de 2007 a 2018. E então: somos menos? Somos. O meu sogro morreu há coisa de cinco anos. Estamos mais velhos? Estamos. À média de um ano por ano, excepto as mulheres do sexo feminino. Casamos pouco? Pois casamos, mas aí a culpa é particularmente minha, que só casei uma vez. Continuamos pobres? Cada vez mais, mas alegres, e seja por alma de quem lá têm. E a minha decisão é: ora aqui está um estudo que finalmente realmente.
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segunda-feira, 29 de maio de 2023
Doutores e bastardos, assim somos
Há uma década, os portugueses tinham mais doutorados e mais filhos fora do casamento do que aqui os nossos vizinhos espanhóis, os quais, por seu lado, viviam mais tempo e navegavam mais na Internet. Melhor para eles! Eu não faço ideia para que é que estas estatísticas comparativas servem, mas a verdade é que elas não nos largam, pondo-se depois a jeito para as leituras que mais nos apetecerem. Organismos dos dois países confrontaram indicadores e chegaram à conclusão de que, por exemplo, havia quatro espanhóis para cada português. O que também não quer dizer absolutamente nada, como ficou cabal e historicamente demonstrado em Aljubarrota.
Ah!, mas dizem que morremos do mesmo em ambos os lados da fronteira: tumores e doenças dos aparelhos circulatório e respiratório foram as principais causas de morte apuradas, nos dois países, pelos minuciosos estatísticos. Fossem eles um pouco mais longe e se calhar descobririam que em França também. E na Alemanha. E em Itália. E na Suíça. E na Hungria. E espantariam o mundo com a extraordinária novidade.
Uma década passada, não sei qual é a situação hoje em dia. Assim ao longe, parece-me que estamos todos estatisticamente mortos e sinceramente não sei quem é que está a escrever isto.
P.S. - Hoje é Dia do Estatístico. No Brasil. Mas calha bem aqui...
Ah!, mas dizem que morremos do mesmo em ambos os lados da fronteira: tumores e doenças dos aparelhos circulatório e respiratório foram as principais causas de morte apuradas, nos dois países, pelos minuciosos estatísticos. Fossem eles um pouco mais longe e se calhar descobririam que em França também. E na Alemanha. E em Itália. E na Suíça. E na Hungria. E espantariam o mundo com a extraordinária novidade.
Uma década passada, não sei qual é a situação hoje em dia. Assim ao longe, parece-me que estamos todos estatisticamente mortos e sinceramente não sei quem é que está a escrever isto.
P.S. - Hoje é Dia do Estatístico. No Brasil. Mas calha bem aqui...
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