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quinta-feira, 19 de setembro de 2024

Gaspar: o recordista passou por aqui

Foto Zerozero
Gaspar, que defendeu as cores da AD Fafe na época de 1976/77, é o mais jovem guarda-redes de sempre a estrear-se na primeira divisão do futebol português. Fê-lo aos 16 anos, na baliza do Atlético, na temporada de 1966/67. E o recorde não se me afigura fácil de bater.
Internacional júnior por Portugal, Gabriel Gaspar estava já no SC de Braga quando, na recta final do campeonato de 76/77, veio emprestado para Fafe, para substituir o velho Antenor, que se lesionara. E foi a nossa sorte. Recebemos um grande guarda-redes para o lugar de um guarda-redes grande.
Gaspar, no treino e em jogo, era impressionante. A par de Quim, terá sido certamente o melhor guarda-redes que eu vi defender as balizas da AD Fafe. No final da temporada foi embora, evidentemente, mas antes ainda teve tempo de luzir a grande altura na nossa primeira meia-final da Taça de Portugal, contra o FC Porto, no Estádio das Antas, numa quarta-feira à noite de todas as memórias, os jogadores em campo a estrearem um equipamento futurista, de encher o olho, tipo "Espaço: 1999", e nós ali em peso no Superior Norte, orgulhosos, barulhentos e com uma pontinha de fé.
Perdemos brilhantemente por 3-0, com 1-0 ao intervalo, para nós, os das bancadas, foi praticamente um empate, pelo menos um empate, e viemos para casa todos contentes, com a honra intacta, ainda orgulhosos, ainda barulhentos e ainda com uma pontinha de fé, ai se não fosse aquele penálti...
Gaspar fez um jogaço, só não defendeu o impossível. No jornal A Bola, o jornalista Alfredo Barbosa fazia título de página inteira, a duas linhas: "Uma exibição memorável do guarda-redes Gaspar".
O FC Porto, treinado por José Maria Pedroto, alinhou com Torres, Rodolfo (Gabriel), Teixeira, Freitas e Murça; Octávio, Celso e Oliveira (Ailton); Seninho, Duda e Gomes. Uma equipa de champions, como hoje se diria.
O Fafe, orientado por Nelo Barros, apresentou-se com Gaspar, Lopes, Teixeira, Castro e Leitão; Manuel Duarte, Romão e Valença; Cartucho, Edvaldo e Jorge. Tomaram muitos, hoje em dia, uma equipa assim na primeira liga. E foi bonito de ver o Leitão todo o jogo à procura do supersónico Seninho, mas só lhe acertava de vista.
No ano seguinte, já sem Gaspar, haveríamos de repetir a façanha, a meia-final da Taça, contra o Sporting, em nossa casa, e outra vez o caralho do penálti, mas isso agora são outros quinhentos...

terça-feira, 23 de agosto de 2022

Craque, craque era o Valença

Foto retirado de O JOGO
Foi há coisa de dois anos, esbarrei sem querer nesta fotografia. Encontrei-a na edição digital do jornal desportivo O Jogo, ilustrando um artigo assinado por Filipe Alexandre Dias, sob o título "Jogar, combater e morrer na Guerra do Ultramar". A foto não está assinada, infelizmente, mas eu conheço-a desde moço, passou-me pela mão, tenho-a de memória, porque está lá um dos meus maiores ídolos da bola: o Valença, ou o Fafe, como era conhecido na tropa e naquela superequipa do FC Moxico - mais do que uma equipa de futebol, provavelmente um projecto político do regime. O FC Moxico foi campeão de Angola na época de 1972/73, portanto no tempo ainda da Guerra Colonial, e ao lado do Valença pontificavam outros artistas como Chico Gordo, Varela ou Seninho. Exactamente, esse Seninho supersónico que, pelo FC Porto, foi a Old Trafford enfiar dois ao todo-poderoso Manchester United, em 1977, para a Taça das Taças, e por causa disso acabou por deixar as Antas com um contrato milionário para se juntar a Pelé, Rivelino, Carlos Alberto, Beckenbauer, Chinaglia ou Neskeens nos galácticos originais, os New York Cosmos, nos EUA.
Mas o Valença. O Valença era um médio extraordinário. Um craque com as letras todas, que para ele por acaso até são poucas. Tecnicista, raçudo, clarividente, sensato, malandro, mandão, era quase impossível tirar-lhe a bola sem falta. Tinha tudo. Tinha tudo para muito mais altos voos, mas se calhar faltou-lhe... o feitio. Isso, o feitio - vamos dizer assim. Teve, em todo o caso, uma carreira brilhante. Foi durante anos capitão da AD Fafe e mais tarde treinador, chamando-se agora António Valença.
De resto, pensando bem, Fafe era por aquele tempo uma abençoada terra de médios extraordinários. E lembro-me do Raul, lembro-me do Ismael, lembro-me do Albano, que jogava a régua e esquadro. Que luxo! Que categoria! Que classe!
Claro que o Tónio (António Ribeiro, de baptismo) calha também ser meu amigo. No retrato, para quem não o conhece, o Valença é o segundo de joelhos a contar da direita de quem vê, com a criancinha à frente. E, posto que gozão-mor do reino, era o verdadeiro jogador da bola. Um dos últimos, pelo menos. 

Candidaturas ao Prémio A. Lopes de Oliveira

Decorre o período para concurso ao Prémio Literário A. Lopes de Oliveira / Câmara Municipal de Fafe, destinado a distinguir estudos históric...